A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, apresenta Marga Ledora: A linha da casa, no 2o andar do edifício Pinacoteca Estação. Com curadoria de Ana Paula Lopes, a exposição panorâmica reúne mais de 120 obras da artista, feitas entre 1987 e 2023. A linha da casa apresenta a poética visual singular de Ledora, exibindo um expressivo conjunto de trabalhos como a série Quadrus Negrus (década de 80) e Casa Preta (entre os anos 2017 a 2021).
Com uma trajetória artística que transita entre o figurativo e o abstrato, Marga Ledora (São Paulo, 1959) é uma artista paulistana contemporânea da Geração 80, movimento artístico de renovação das artes marcado pelo uso de novas linguagens que passavam pelo pop, expressionismo e o grafismo. Ao longo da carreira, Ledora fez do desenho seu meio expressivo e experimental, com destaque para o uso de materiais como régua, esquadro, grafite e giz pastel.
“Em sua linguagem, Marga Ledora encontrou um espaço propício para a composição e a experimentação. Em seus trabalhos, as linhas, que a princípio parecem tão distintas, unem-se para romper com a vontade construtiva e compor um novo campo de ação. Isso as leva a refletir uma polissemia de angulações e vestígios, ao mesmo tempo em que destacar o caráter mínimo”, conta a curadora Ana Paula Lopes.
Sobre a exposição:
No 2º andar do edifício Pinacoteca Estação, a visita começa pela série Quadrus Negrus (1986), com mais de 20 trabalhos fundamentais de Ledora. Obras como Casa em amarelu (1986) marcam o início do trabalho de experimentação de linhas e cores, base para toda a sua produção artística. Nas obras, o giz pastel seco faz o traçado de triângulos, retângulos e fendas em linhas secas sobre o papel Carmen preto, item raro à época de produção da série. “Trata-se de uma apresentação gráfica, na qual a artista subverte a representação do real para nos fazer ‘ver o visível’ e o invisível”, conta Ana Paula.
Ao caminhar pela exposição, o público encontra diferentes núcleos que parecem irradiar da parede de Quadrus Negrus, norteadora da exposição. Podem ser vistos conjuntos de trabalhos mais orgânicos, com obras como Casa em Amarelu (1989) e Objeto colorido II (2020), e mais geométrico, com as obras Ao lado do Céu (Paisagem Mínima) (2021). Paisagens, arranjos, casas e jardins são motivos recorrentes na produção da artista, mas a delicadeza dos detalhes, das cores e composições leva a atenção do espectador para muito além da representação.
Espelhando a série inicial de Ledora, está uma parte da exposição que se dedica também aos seus processos artísticos, que dão indícios de sua sensibilidade com o desenho. Ali, processo, cor e linha se misturam.
A exposição Marga Ledora: A linha da casa tem patrocínio da Goldman Sachs, na categoria Prata.

