A Verve abre, neste sábado (04/04), três exposições individuais simultâneas, ocupando suas duas salas expositivas e sua Sala de Projetos. A programação reúne artistas nascidos em Minas Gerais, destacando diferentes gerações e abordagens no campo da arte contemporânea.
Reconhecido por sua contribuição à performance no Brasil, Marco Paulo Rolla (1967) vai muito além em sua atuação por todas as linguagens artísticas, se definindo como um artista multindisciplinar – termo por ele cunhado para abarcar a diversidade de linguagens e técnicas que atravessam sua produção. Em “Estatísticas do Caos”, sua segunda mostra individual na galeria acompanhada de texto curatorial de Marina Schiesari, o artista apresenta sua produção mais recente no campo da pintura e da escultura, articulando reflexões sobre o corpo contemporâneo e sua dependência de extensões tecnológicas. A partir de cenas do ambiente de trabalho e dos dispositivos que o conectam a ele, Rolla constrói um universo imagético e complexo, mediado por meios de comunicação amplamente difundidos como computadores, televisores e celulares.
Randolpho Lamonier (1988) apresenta “Uma noite de amor com Eros e Tanatos no inferno”, sua primeira exposição individual na Verve, em continuidade à pesquisa desenvolvida recentemente na XIV Bienal do Mercosul (2025) e na Bienal da Sérvia (2024), em que investiga a construção de uma subjetividade queer a partir de arquétipos da masculinidade. Ao combinar referências do universo dos games, do imaginário pornográfico e bélico, o artista articula instalações multimídia, composições fotográficas e tecidos costurados sobre chassis, criando uma atmosfera densa e delirante, marcada pela sobreposição de narrativas e imagens.
Na Sala de Projetos, com sua disposição de vitrine, o artista Desali (1983) apresenta uma intervenção site-specific concebida para a arquitetura do Edifício Louvre, projetado por Artacho Jurado, prédio que abriga a galeria. Em contraponto à impessoalidade vertical da cidade de São Paulo, o artista introduz substratos de memórias íntimas de sua vivência na periferia de Contagem. A instalação articula o mapa arquitetônico do edifício a materiais coletados ao longo de suas caminhadas (resíduos plásticos, madeiras de caixas de frutas, entre outros), compondo uma narrativa que entrelaça biografia, território e estrutura urbana.

