A Nara Roesler São Paulo apresenta a exposição “Marco Maggi – La Sociedad Subatômica”, com 21 trabalhos do artista nascido em 1967 em Montevidéu, e que divide seu tempo entre Nova York e sua cidade natal. Na mostra, estarão majoritariamente trabalhos feitos em 2025 e 2024, em pequenos fragmentos de papéis das mais diversas cores, materialidades e recortes de papel, colados sobre um suporte de papel dibond. A escala em que são realizados, extremamente miniaturizada, demanda um olhar atento do espectador.
A princípio, os trabalhos de Maggi parecem silenciosos, e, em alguns casos, quase imperceptíveis. Sua escala miniaturizadaconvida o público a um olhar ativo, para perceber o que a princípio pode escapar: eles formam complexos, intrincados e minúsculos padrões geométricos, tracejados, linhas e até mesmo estruturas com certa vocação arquitetônica, que emergem do suporte e revelam uma inesperada e imbricada trama.
Outra importante característica da escala do trabalho de Maggi é a dificuldade de registrá-lo, dado que seus detalhes minuciosos raramente podem ser retidos em uma única fotografia. Da mesma forma que a percepção para sua poética necessita ser pausada e pormenorizada, o mesmo se dá no âmbito do registro, no qual a câmera necessita estabelecer uma outra relação com o trabalho, muito mais próxima, para então captar seus mínimos detalhes, contrária à ideia de panorama.
Com trajetória iniciada na década de 1990, Marco Maggi tem como ponto de partida de seu trabalho a crítica ao olhar contemporâneo, pautado pelo excesso de velocidade, imediatismo e voracidade. Temos muitas vezes, como consequência disso, uma mirada descomprometida e apressada sobre o mundo que nos rodeia, algo que é rechaçado pelas proposições do artista, que seguem pelo caminho oposto, instigando o espectador a exercitar uma presença ativa, contrária à lógica atual em que estamos inseridos, apesar da obsessão dos nossos tempos com práticas como o mindfulness.
A exposição também reúne alguns trabalhos em que os suportes são objetos cotidianos, como placas de acrílico, mesas de bilhar, bolas de pingue-pongue, esferas de cristal, além da própria parede da galeria. Em todos esses meios, Maggi pontua e constrói suas elaboradas tramas geométricas e algo cartográficas, nas quais os elementos diminutos reluzem e trazem pequenas pontuações.
INCERTEZAS E INSTABILIDADES
Para Maggi, sua exposição tem uma ligação direta com o universo das ciências naturais, em especial na virada da Física Clássica para a Física Quântica, ocorrida na primeira metade do século 20, daí o título da mostra. A Física Clássica, produzida até o final do século 19, se ocupa das forças que agem em corpos geralmente maiores que um átomo. A Física Quântica explora o universo das estruturas menores do que um átomo, onde “aumentam as instabilidades, as incertezas e as imprecisões. Essas características são definidoras do mundo subatômico por excelência, e em muito se relacionam com a maneira com que vemos e nos comunicamos na sociedade atual”, explica Marco Maggi.
O filósofo francês François Cusset (1969) – em texto sobre Maggi na ocasião de sua participação como representante do Uruguai na 56ª Bienal de Veneza, em 2015, com o trabalho “Global Myopia II” – afirmou acerca do método do artista: “Traços lidam com o significado; eles qualificam o que merece ser inscrito: por outro lado, o insignificante não deixa rastros, o banal não tem memória, tudo desaparece com o instante de sua relevância. Marco Maggi vira essa ordem estabelecida de cabeça para baixo; esculpindo e cortando, ele transforma o insignificante em traço, o vácuo em arquivo, a sombra em alfabeto, o detalhe em cosmos e as mais ínfimas variações naquela famosa revolução que havíamos desistido de esperar”.

