Marco Antonio Portela | Galeria Reserva Cultural

O uso da fotografia como instrumento crítico tem sido, indubitavelmente, a tônica da obra de Marco Antonio Portela, que completa 20 anos de atividade artística. “ Nunca vi coisa mais bela” traz ao público niteroiense vertentes importantes de sua produção, explicitando um discurso poético e escolhas formais coerentes desde suas primeiras exposições “As que alimentam” e “Da Paixão” realizadas em 1999 no Rio de Janeiro.

O seu método de trabalho articula fotografias selecionadas ou obras de autores consagrados – como a do controvertido Damien Hirst do grupo Young British Artists – que são apropriadas e associadas à imagem do artista. Concebe, desta forma, um personagem crítico voltado para questões polêmicas e, concomitantemente, dá forma a uma face icônica que permeia todos os trabalhos expostos. Em tom jocoso, o artista reflete sobre a vida e valores seminais da contemporaneidade, como religiosidade, gênero, passagem do tempo, mercado de arte. Volta-se com frequência à desmistificação das convenções com despojamento plástico.

Sua experiência visual promove a combinação de cenas rotineiras ou de paisagens de fácil identificação à sua própria imagem. Colagem, assemblage, sequenciamento e sobreposição de imagens são recursos comuns utilizados pelo artista, associando sentidos e criando camadas de conteúdos oriundos de um imaginário pessoal. O autorretrato feito com aparelho celular põe em foco a auto-representação na busca de reconhecimento com ironia crítica e explícita. Suas escolhas visuais passam com frequência pela perspectiva dos movimentos surrealista e dadaísta com interseções poéticas bastante atuais.

Marco Antonio Portela satiriza, reflete, critica e diverte o observador, conferindo frescor num cenário devastado pela incoerência.

Marcia Mello
Curadora

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