A Nara Roesler apresenta a exposição A casa do decorador, com obras do artista cubano Marco A. Castillo (1971, Camaguey) – um dos fundadores do internacionalmente celebrado coletivo Los Carpinteros (1992-2017) – na Casa Domschke, projetada por Vilanova Artigas, em 1974. Com curadoria de Livia Debbane a exposição reúne 30 trabalhos recentes e inéditos de Castillo, que abrangem esculturas – em mogno e vime; em papel cartão revestido de papel de encadernação ou couro sintético; e em argila epóxi – a instalação “Dictadura I”(2024)”; um conjunto de dez desenhos em nanquim sobre papel, e dois vídeos: “Generación” (2019), 6’45”, e “Casa Negra” (2022), 12’24’’. Desses trabalhos, 17 foram criados especialmente para a Casa Domschke.
Marco A. Castillo relata em um vídeo que estará nos canais digitais de Nara Roesler que a “Casa do Decorador” “é um projeto que vem de Cuba”. “Quando Los Carpinteros pararam de trabalhar, eu me vi diante da missão de criar a minha própria linguagem, meu universo criativo. Naquele momento, eu estava vivendo em Cuba, depois de ter vivido dez anos na Espanha e, antes disso, em outros países – viajei muito. Por volta de 2017 eu tomei a decisão de deixar Madri e ir para Havana para criar a Fundação de Los Carpinteiros, e foi neste momento que Los Carpinteros pararam de trabalhar. Eu quis aprofundar algo que já havia começado. Sempre me interessaram os movimentos de design moderno latino-americano, porque todos eles estão carregados de um forte substrato político: Brasil, México, Venezuela, Chile, Argentina. Então quis investigar o que havia acontecido em Cuba. Nessa pesquisa, descobri, porque eu não conhecia tão bem o que havia acontecido em Cuba – e quase ninguém sabe – que houve em Cuba um movimento de design muito importante, uma indústria que funcionou a serviço da Revolução. Foram designers que transformaram os espaços para esse projeto revolucionário, seja para propaganda, seja para questões práticas. Essa complexidade estética de um projeto utópico que se pretendia realizar, mas que ao mesmo tempo se transformou em uma ditadura”, conta. “Esse movimento de designers durou algum tempo, mas depois foi cancelado, porque, uma vez que Fidel Castro se consolidou no poder, essas questões deixaram de interessá-lo tanto”.

