Marcius Galan e Raul Mourão | Pinakotheke Fortaleza

A Pinakotheke Fortaleza inaugura no dia 26 de junho de 2026, às 19h, a exposição Entre Espaços, que reúne 54 obras de Marcius Galan e Raul Mourão sob curadoria de Diego Matos. A mostra fica em cartaz até 22 de agosto de 2026, com entrada gratuita, e ocupa os três ambientes da galeria, além do jardim de esculturas, em um percurso que une obras históricas, criadas há quase duas décadas, a trabalhos recentes e inéditos, como “Balanço Pina” (2026), de Raul Mourão.

Marcius Galan (1972, Indianápolis, EUA, radicado em São Paulo) e Raul Mourão (1967, Rio de Janeiro) têm trajetórias que, à primeira vista, correm em paralelo: décadas de produção, repertórios e formações distintos, cidades diferentes. Entre Espaços nasce do raro encontro entre as duas produções, em um exercício de curadoria que aproxima sem forçar coincidências. Como escreve Diego Matos no texto que acompanha a exposição, o que conecta os dois artistas é menos um estilo comum do que uma disposição compartilhada: o interesse por um lugar subversivo, uma espécie de brecha ou entrelugar onde as convenções do espaço – urbano e expositivo –, são colocadas em xeque.

A escala, a geometria e o movimento atravessam o conjunto de obras em diálogo. Há peças que alteram o tamanho e a forma de um mesmo gesto, como nas esculturas de Mourão, que migram da escala doméstica para a urbana, e trabalhos que se apropriam de símbolos de orientação, como setas, mapas, sinais de trânsito, para reorientar a própria experiência de quem visita a mostra. Marcius Galan contribui com objetos em concreto e chapas de metal que brincam com a geometria plana, e Raul Mourão com esculturas em equilíbrio, desenhos e o vídeo “Bang Bang #1”, que ecoa em outras obras da exposição através do signo da violência iminente, sempre na fronteira entre o que está prestes a acontecer e o que já se rompeu.

Diego Matos resume essa tensão na frase que dá o tom ao texto curatorial: “um labirinto de signos e veredas bifurcadas, um jogo de sentidos em campo expandido, em que uma obra ataca, outra recua, e vice-versa”. Não é, como ele mesmo descreve, uma exposição de consenso, mas um convite a perceber, na proximidade entre dois repertórios tão distintos, os pontos de fricção, de humor e de surpresa que cada artista revela no contato com o outro.

Para Max Perlingeiro, diretor geral da Pinakotheke, Entre Espaços marca a continuidade de um percurso iniciado há quase quatro décadas em Fortaleza. “O que a curadoria de Diego Matos revelou, ao longo do processo, foi a teia silenciosa que conecta os dois artistas: o interesse pelo espaço subvertido, pela geometria que trai o olhar, pelo equilíbrio sempre na iminência de romper”, escreve na apresentação da mostra. A exposição chega depois de um ciclo recente que incluiu “Zeitgeist”, de Gonçalo Ivo, “Dinheiro Vivo”, de Vik Muniz, e “Anima”, de Christian Cravo, entre outras da programação da Pinakotheke Fortaleza, inaugurada em 1987.

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