Márcio Diegues | Galeria de Arte Ibeu

Elementos dos lugares onde já morou influenciam os trabalhos do artista paulista Márcio Diegues, que abre o calendário de exposições da Galeria de Arte Ibeu. Morando atualmente no Rio de Janeiro, o mar inspirou “Como sobreviver a um naufrágio”, primeira individual do artista na cidade, composta de desenhos, objetos tridimensionais, gravuras, um desenho instalativo e livros do próprio Diegues. Sob curadoria de Cesar Kiraly, a exposição será composta por cerca de 40 trabalhos que, reunidos, partilham a experiência do naufrágio, da ruína e da falência mimética como ponto de fissura visual e conceitual com a realidade.

A mostra é um recorte da produção do artista atualmente, com trabalhos que abordam o mar como uma ideia de paisagem, deslocamento, mas que também remete à ideia de afundamento e catástrofe. Os estudos percorrem diferentes representações do mar tradicional na História da Arte e na Ciência, além de abordar questões bélicas, mapas, cartografias e cartas náuticas.

“Uma das coisas importantes na minha produção foi ler uma antologia escrita por um português no século XVII, que é uma coletânea das histórias de naufrágio que acontecem desde o século XV, a partir da ida para as Índias. Nessas histórias, o mais notável eram os afundamentos, como eram violentos e como se perdia uma ideia de planejamento, um objetivo a cumprir.”, explica o artista.

A partir desses relatos, ele passa a pensar o naufrágio como uma metáfora visual e conceitual, já que não é apenas o corpo físico que afunda, mas também a ideia de um objetivo que não consegue se concluir. Este conceito inspirou Diegues a produzir gravuras, cadernos de desenho e a coletar imagens que tinham a ver com a vivência no Rio de Janeiro, buscando o sentido da representação do mar.

“Não represento a água em si, mas a ideia de que todo objeto afunda em um lugar, em uma dimensão. Isso ajuda a entender que o mar é uma dimensão imaginária e isso me ajuda a desenvolver meus trabalhos. Tem também uma ideia contemporânea de o naufrágio ser uma falência de uma superestrutura, que pode ser um barco ou submarino, mas também um objetivo de vida, algo que foi planejado e não deu certo. A ideia de naufrágio também fala de traumas, desse processo de mergulho em si mesmo.”, conclui.

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