Marcia Pastore | Galeria Kogan Amaro

Marcia Pastore investiga a convergência entre as artes plásticas e a arquitetura em sua trajetória. Ela enfatiza as relações poéticas da força e do espaço a partir da interação da matéria com um determinado local e, preenchendo o vazio, a artista evoca a corporalidade de materiais, cria mecanismos e questiona o equilíbrio em uma produção pensada em três atos. É o que ela exibe na exposição Arapuca, em cartaz a partir de 15 de fevereiro, na Galeria Kogan Amaro, com curadoria de Ricardo Resende.

“Não são esculturas como pedras esculpidas, são trabalhos de superfícies, de movimento, de articulações, das engrenagens, dos mecanismos, de organicidade controlada e das relações de corpos no espaço arquitetônico”, explica o curador. “As esculturas, se é que poderíamos chamá-las assim, simulam forças sobre si mesmas”, conclui.

A exposição é dividida em três líricos: memória do gesto, movimento e tensão. Em Arapuca (2020), obra que nomeia a exposição, Pastore tensiona redes de pesca através de cabos de aço, anzóis e lastro de pedra, criando uma arapuca espacial.

Em Experimento 1: bolas sobre gesso (2019), a ação sobre uma superfície de gesso é registrada numa série de sete fotografias que lembram paisagens cósmicas. As fotos foram feitas após a ação ter sido captada em vídeo. Serão mostradas duas imagens da série. Em Arrastão (2020), a junção de blocos grafite, carretilhas, cabo de aço, aço e abraçadeiras resulta numa máquina que imprime na parede, as marcas de sua movimentação.

“Nos trabalhos de Marcia Pastore, é a pessoa que observa quem faz o acesso à obra, revelando a sua natureza e exprimindo a si mesma. A obra mostra-se como modo de pensar”, finaliza Ricardo

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