Márcia Beltrão | MIS

O MIS – instituição da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo – recebe a quinta mostra do programa Nova Fotografia 2019, que selecionou seis trabalhos inéditos para serem expostos no Museu ao longo do ano: Em curso, de Márcia Beltrão. Com entrada gratuita, a exposição fica em cartaz até o dia 1º de dezembro, no Espaço Nicho. Ainda dentro da programação da mostra, no dia 30 de outubro, a fotógrafa realiza um bate-papo – aberto ao público – com Ronaldo Entler, responsável pelo acompanhamento curatorial da mostra.

Em Curso foi realizada a partir da observação da fotógrafa entre o trem, o Rio Pinheiros e sua paisagem, que convivem lado a lado, atravessando parte da cidade de São Paulo. “Ao fotografar o percurso que o trem faz nas margens desse rio, me remeto à experiência cinematográfica, em que as janelas servem como “frames”, que se repetem e contam histórias. As histórias dessa cidade e das pessoas que por ela passam”, descreve a fotógrafa.

A série teve início em 2015, quando Marcia Beltrão começou a fotografar sempre do ponto de vista de quem está no trem, o qual segue acompanhando as margens desconstruídas do rio, se colocando no eixo desse contraste. “Entendo que o trem é o ponto de convergência entre as pessoas e o rio. A janela é um lugar que a gente olha e trás o novo, serve também como um respiro e distrai do caos ao redor. O movimento do trem adiciona a fragmentação”, diz a fotógrafa.

“Em um gesto sutil de resistência, e sem qualquer romantismo, Marcia Beltrão tenta construir por meio da fotografia uma sensibilidade sincronizada com essa paisagem saturada que é vista pela janela de um trem suburbano. Assim, ela compõe com os resíduos desse imaginário moderno um discurso ajustado à contemporaneidade. Acostumada a ver o mundo pelo enquadramento da câmera, ela descobre que o trem, com seu ritmo e suas próprias molduras, constitui um dispositivo capaz de falar o idioma fragmentário de nossas paisagens”, Ronaldo Entler. “Essas imagens não são capazes de restituir nem as belezas, nem as promessas que ficaram pelo caminho. Mas, ao menos, elas inventam uma gramática que permite traduzir as contradições da cidade em breves encontros poéticos”, completa.

A série foi realizada entre 2015 e 2018 e é composta por 17 dípticos e duas imagens individuais.

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