O artista visual Marcelo Rezende apresenta a mostra individual ‘Tratados Rompidos numa Distopia Tropical’, no Centro Cultural Cândido Mendes, com curadoria de Denise Araripe, trazendo uma pintura contemporânea que articula questões econômicas, sociais e ambientais, a partir de uma iconografia situada na cultura suburbana e periférica do Rio de Janeiro. O artista mobiliza repertórios visuais oriundos do cotidiano urbano marginalizado, tensionando hierarquias históricas entre centro e periferia, erudito e popular.
A exposição propõe uma arqueologia distópica marcada pela ruptura de pactos sociais, ambientais e simbólicos, em que objetos, corpos e espacialidades operam como vestígios de uma civilização em esgotamento. As imagens evocam ciclos de consumo, descarte e obsolescência próprios do capitalismo tardio, aproximando-se da noção de “ruína moderna” e evidenciando os resíduos materiais e imateriais de promessas de progresso que não se sustentam.
A recente produção do artista atravessa a crise ambiental, os deslocamentos culturais e a instabilidade social, construindo cenas em que diferentes temporalidades e regimes entram em fricção. Nesse contexto, a ideia de “tratados rompidos”, vai além do campo político, alcançando relações entre humanidade e natureza, centro e margem, memória e futuro. Tais operações tensionam imaginários coloniais e apontam para formas de sobrevivência e reconfiguração identitária em contextos de transformação.
A apropriação da estética kitsch e suburbana opera como estratégia crítica, em diálogo com debates da história da arte sobre cultura de massa, ao evidenciar as contradições entre desejo de consumo e exclusão estrutural. Ao mobilizar excesso, acúmulo e artificialidade, o projeto propõe uma leitura do Sul global como território onde colapso e permanência coexistem, afirmando a pintura como campo de elaboração simbólica das ruínas contemporâneas. Um espaço onde os vestígios de acordos desfeitos ainda reverberam.
Censura livre
Entrada gratuita

