A OMA Galeria apresenta “Pendular”, nova exposição individual de Marcelo Monteiro. Com texto crítico de Patrícia Gil, a mostra apresenta esculturas em madeira e metal que exploram os limites do corpo e da matéria e investigam as dualidades do trabalho no mundo contemporâneo.
A madeira é o ponto de partida da prática escultórica de Monteiro. Crescido em casas de madeira no interior do Paraná, o artista mobiliza essa memória afetiva como material de experimentação. Esculpida por suas mãos, a madeira parece desafiar sua própria natureza: torce, dobra, enverga e assume formas que se assemelham a pele sob pressão. O material, em seu trabalho, é símbolo para um corpo submetido a forças externas, que oscila, mas não se rende.
Essas forças ganham forma em ferramentas que dialogam com a madeira: sargentos, prensas, vergalhões e martelos são removidos de seus usos originais e deslocados para o campo da arte. Nenhuma delas é nova: todas foram coletadas pelo artista em ferros-velhos e feiras, carregando marcas de uso e memórias. Esses instrumentos industriais parecem restringir, comprimir e quase romper a madeira, mas também a sustentar, criando um equilíbrio instável e ambíguo.
As esculturas de Monteiro surgem de uma vivência direta com o mundo do trabalho. Ex-operário, o artista conheceu de perto tanto o fazer manual quanto os processos de despersonalização e as pressões presentes nas fábricas. Em sua obra, essa experiência se transforma em investigação poética: o trabalho pode ser gesto criador e construtor de subjetividade, mas também fonte de exaustão e adoecimento.
Essa ambiguidade atravessa toda a exposição. Como o título da mostra sugere, as esculturas refletem o balanço constante entre potência humana e apagamento, resistência e pressão. A madeira se mostra como corpo único, com seus veios, nós e irregularidades, resistindo mesmo quando sofre com forças externas. Já as ferramentas, impregnadas de histórias, falam da memória do trabalho e de tudo o que nele se perde ou sobrevive.
Marcelo Monteiro cria esculturas que oscilam entre o artesanal e o industrial para mostrar que a potência humana ainda permanece, mesmo sob pressão. Pendular fica em cartaz até 26 de julho, com entrada gratuita.
Patrícia Gil

