Marcelo Cipis | Bergamin & Gomide

Retrato de um Artista Super in Love com o Sistema, 2016

A Bergamin & Gomide tem o prazer de apresentar “Enjoy”, uma exposição de Marcelo Cipis, com poemas de Angélica Freitas, que acontece entre os dias 27 de março a 15 de maio.

Não bastasse ser a primeira individual do primeiro artista representado pela galeria, a exposição ganha contornos ainda mais especiais, apresentando um apanhado de pinturas que fizeram, e fazem parte, de mais de 30 anos de trajetória de Marcelo Cipis. Pois bem, entre e aproveite!

Enjoy é a forma simpática de introduzir uma série de pinturas inéditas, e também antigas, afinal, Marcelo Cipis – chamaremos daqui para frente de Cipis – é conhecido por ser um artista prolífico, mas também por sua personalidade cativante. Quem ainda não o conheceu que se adiante para conhecê-lo…

A seleção de obras desnuda um lado nunca antes mostrado, um interessante contraste entre o abstrato e o figurativo que retrata a trajetória de Cipis. São pinturas abstratas, figurativas, geométricas, abstratas soltas, geométricas abstratas, formais, gestuais, brincadeiras – ora com a linha, ora com a forma, ora com a escrita -, que refletem o universo de Cipis, e por assim dizer, sua liberdade criativa. Aliás, liberdade é a palavra de ordem.Esse é o resultado de uma maneira de ser, inquieta, digamos que Cipis é um artista inquieto, que enxerga as múltiplas possibilidades dos caminhos que um artista visual pode trabalhar. Admira esses diferentes caminhos, e quer trilhar por todos eles, sempre uma coisa levando a outra, percorrendo à sua forma a totalidade de ser.

Entre os destaques de Enjoy, está a pintura Cipis Face (2020), A referência da obra tem origem na instalação “Cipis Transworld Art, Industry & Commerce” realizada na 21ª Bienal de São Paulo (1991), onde um dos suportes era um recorte de madeira de 1,8 metros nesse formato, semelhante a uma ameba ou feijão. Na instalação, Cipis usava seu nome como elemento das diversas peças, colocando-se direto no trabalho como uma forma de garantir e carimbar sua singularidade, tudo com muito bom humor.

Obras de séries clássicas de Cipis, como a Tambor, fazem parte da exposição. Tambor Laranja (1996) foi a primeira obra da série, a ideia surgiu de forma espontânea, quando falando no telefone desenhou duas formas que se interligavam – a elipse e o trapézio – deu o nome de Tambores para relacionar ao ritmo pulsante das batidas do coração. Já a pintura Tambor Infinito (1998) é uma experiência intermediária entre o início da série Tambores e a série Crafts de 1998, a partir do gesto rápido e dinâmico o objetivo de Cipis foi criar um movimento e quebrar a estaticidade das figuras.

Mais uma famosa série de Cipis são as Misturinhas, na qual encontrou um método lúdico para nomeá-las. São diversos “departamentos” classificados como Misturinhas Maravilha, Misturinhas Caminhão, Misturinhas Matissianas e Misturinhas Heráldicas Entranhas (1999/2000), nestas últimas a inspiração veio de logotipos e brasões retratados graficamente por intestinos.

As obras Retrato de um Artista Ignorado pelo Sistema (2015) e Retrato de um Artista Super in Love com o Sistema (2016), são complementares e evidenciam a dualidade da vida de um artista, entre altos e baixos. O bom humor novamente toma conta das pinturas, segundo Cipis “quis fazer uma figura meio primitiva, maleável, folclórica, imaginária… me divirto escrevendo, gosto de escrever textos, gosto de misturar texto e imagem, gosto do alfabeto e das letras, da tipografia, como se estivesse narrando uma história através da pintura”.

Tudo pode ser assunto ou motivo para uma pintura, como na obra Panda 2 (2019). Nesse caso, de início, a figura contém uma certa estranheza, permeando algo entre um ser-bicho ou um bicho-ser, no entanto, os desejos pictóricos estão claros para Cipis, a cabeça do panda é retratada a partir da cor branca, assim cria um jogo de cores para mostrar veladamente a cor do fundo.

Olho Dada (2016) é um típico trabalho inspirado pelo Dadaísmo, uma homenagem a Francis Picabia que dizia “uma pintura Dadá deve dar prazer para quem vê e para quem faz”. Cipis afirma ter tido grande prazer em fazer esse trabalho, também foi uma das poucas vezes que usou tinta spray dourada, já o olho representa aquilo que é sagrado e sublime para o artista visual.

Em Fantasia Finlandesa (2020), Cipis cria um universo utópico. Um dia, cansado de ser brasileiro decide ser finlandês, passa a pintar os lugares e pessoas que vivem na capital Helsinki, sem nunca antes conhecê-la. A Finlândia é a sua própria Pasárgada, uma referência ao poema de Manuel Bandeira que começa assim “Vou-me embora pra Pasárgada; Lá sou amigo do rei; Lá tenho a mulher que eu quero; Na cama que escolherei (…)”. O conjunto de pinturas simboliza o paraíso inatingível, uma utopia “Cipiesca”, afinal, não sabemos se lá é melhor do que aqui, mas deve ser… na imaginação de Marcelo Cipis tudo é possível!

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