O Museu Oscar Niemeyer inaugura no próximo 25 de junho, às 19h, a exposição Moiré Bereguedê – Mano Penalva, individual do artista baiano radicado em São Paulo, com curadoria de Felipe Scovino. Em cartaz na Sala 2, a mostra reúne 71 obras — entre esculturas, pinturas, colagens, instalações e vídeo — produzidas ao longo dos últimos 15 anos, oferecendo um panorama abrangente de uma trajetória marcada pela reinvenção da matéria cotidiana.
Reconhecido por transformar materiais ordinários em estruturas de grande potência visual e simbólica, Mano Penalva constrói uma produção situada entre o rigor da abstração geométrica e a inventividade popular brasileira. Sua prática parte do deslocamento de objetos e materiais de uso comum — ripas de madeira, palha, lonas, náilon de cadeiras de praia e bolsas — para investigar circulação, memória, trabalho, improviso e cultura material.
O título da exposição condensa duas forças centrais de sua obra. Moiré remete ao efeito óptico gerado pela sobreposição de linhas e grids, fenômeno historicamente ligado à tradição construtiva brasileira. Bereguedê, expressão popular de forte oralidade, evoca improviso, espontaneidade, festa e coletividade — e, em seu uso coloquial, pode significar simplesmente “coisa”, carregando em si a potência aberta do indeterminado.
Segundo o curador Felipe Scovino, a mostra articula justamente esses dois campos aparentemente opostos: a racionalidade geométrica e a pulsação vernacular da rua.
A exposição estabelece diálogos com artistas fundamentais da arte brasileira, como Hélio Oiticica e Lygia Pape, especialmente na maneira como tensiona e expande estruturas geométricas. Em séries como Nuvens, o grid deixa de ser plano para tornar-se corpo, volume e espaço.
Na montagem concebida para o MON, as obras ocupam a arquitetura de maneira imersiva. Instalações formadas por Alpendres, Nuvens da série Ventana e Camas de Gato criam passagens, divisórias translúcidas e áreas de pausa, transformando a visita em uma experiência física e sensorial. O espaço expositivo passa a operar simultaneamente como praça, casa e labirinto.
Nascido em Salvador em 1987, Mano Penalva vive e trabalha em São Paulo. Sua produção abrange escultura, instalação, pintura, fotografia e vídeo, articulando referências da antropologia, da cultura popular e da abstração contemporânea. É bacharel em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e frequentou os cursos livres da Escola de Artes Visuais do Parque Lage.
Nos últimos anos, participou de residências internacionais como Casa Wabi e Fountainhead Residency, além de programas em Bruxelas, Nova Iorque e Cidade do México. Seu trabalho integra importantes coleções públicas e privadas no Brasil e no exterior.


