MAM Rio | Campos Interpostos

Fachadas urbanas inspiram coletiva que reúne grandes nomes do acervo do MAM Rio

Campos Interpostos é a exposição que marca a reabertura do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), no dia 12 de setembro de 2020, após seu fechamento no último dia 16 de março. Reunindo cerca de 70 obras do acervo do museu carioca, de vertentes variadas, realizadas por mais de 50 artistas brasileiros e estrangeiros, a coletiva parte da articulação espaço-temática entre fachada e plano pictórico. A curadoria de Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes estabelece correlações que atravessam o conjunto da produção artística brasileira das últimas sete décadas.

O MAM Rio abriga cerca de duas centenas de obras que representam fachadas, além de outras que evocam o tema sem literalidades. Campos interpostos apresenta trabalhos comprometidos com o figurativismo marcado pelo modernismo de 1922, bem como obras construtivistas e abstratas. A coletiva exibe pinturas, desenhos e gravuras de artistas que, alinhados pela diversidade de suas poéticas, se interessaram pontualmente pela representação de espaços ou de áreas arquitetônicas frontais.

O termo fachada designa primeiramente as paredes externas de casas e edifícios. No entanto, como aponta Cocchiarale, “a partir do século XIV, durante a Renascença, projetos de construção efetivos ou ficcionais passaram a exigir, tanto de arquitetos quanto de pintores, representações perspectivadas de seus projetos. Ao final do século XIX, o espaço ilusionista implantado na Renascença, incapaz de atender às expectativas renovadoras da modernidade, foi substituído pela objetividade do plano pictórico e dos demais suportes, reorientando a pintura para investigação das possibilidades poéticas da arte abstrata. Se tal mudança radical não mais favorecia à figuração, abriu caminho para novas modulações do plano pictórico”, conclui o curador.

Em Campos Interpostos, o visitante encontrará um corte transversal que exibe amplo repertório de formas, cores e imagens. E observará as conexões estabelecidas entre obras predominantemente abstratas. A pintura neoconcreta de Willys de Castro, que dá título à mostra, divide espaço com trabalhos de Alfredo Volpi, Athos Bulcão, Bernhard e Hilla Becher, Carlos Scliar, Cristiano Mascaro, Djanira, Flávio Shiró, Geraldo de Barros, Hildebrando de Castro, Iatã Cannabrava, Iberê Camargo, Ione Saldanha, Ivan Serpa, José Bechara, Lina Kim, Maria do Carmo Secco, Maria Leontina, Maurício Dias e Walter Riedweg, Nelson Leirner, Nuno Ramos, Oswaldo Goeldi e Rochelle Costi, entre outros.

De acordo com a curadoria, a exposição apresenta dois eixos: um imagético e outro teórico. Textos de artistas e críticos – como Paulo Herkenhoff, Frederico Morais, Mario Pedrosa, Fayga Ostrower e Maurice Denis – integram o corpo físico da mostra, criando um solo semântico para os planos pictóricos fronteiriços.

“Esta exposição, que começou a ser pensada antes do contexto da pandemia, ganha nova camada de leitura agora. A coletiva tem como um dos motes as fachadas, que em certo sentido se sobrepõem à superfície da tela, seja da pintura ou do vídeo, mas também remetem à nossa relação com o mundo externo. Nos últimos meses, lidamos com a relação entre ‘dentro’ e ‘fora’, na tentativa de conter o avanço da pandemia a partir de diferentes perspectivas sociais, políticas e econômicas. E, com o isolamento, surgiu a necessidade de ressignificação desse dentro/fora. Penso que isso releva a potência da produção artística de manter suas motivações originais ao longo do tempo e de ativar outras chaves imprevistas de leitura”, analisa a curadora-assistente do MAM, Fernanda Lopes.

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