O Centro Cultural Sesc Quitandinha (CCSQ), em Petrópolis (RJ), inaugurou a exposição Mais belo é o rio que corre, com visitação gratuita até fevereiro de 2027. Com curadoria de Marcelo Campos e assistência de curadoria de Rodrigo Duarte, a mostra reúne mais de 100 obras de mais de 40 artistas sul-americanos e de outros continentes em diferentes linguagens artísticas para refletir sobre os rios como espaços de encontro, memória, resistência e transformação.
Em diálogo com a poética de Alberto Caeiro e o pensamento de Antônio Bispo dos Santos, a exposição emerge dos meandros das águas e escorre pelos fluxos da confluência entre saberes, pessoas e temporalidades. A proposta dialoga diretamente com o conceito do Festival Sesc de Inverno 2026, que celebra o verbo “afluir” como gesto de encontro. Ao tomar a confluência entre rios como metáfora, a exposição amplia esse debate para pensar as relações entre arte, natureza e sociedade, valorizando a convivência entre diferentes saberes, territórios e modos de existir.
Mais belo é o rio que corre reúne artistas e obras de diferentes territórios, principalmente da América Latina, entre eles Brasil, Paraguai, Peru, Argentina, Guatemala e Guiana Francesa, além de países como Líbano e Lituânia. Em comum, as obras observam lugares fronteiriços e reconhecem os rios como entidades vivas, fundamentais para a manutenção da biodiversidade, dos ecossistemas e dos ciclos da vida.
Entre os destaques está uma instalação inédita do artista chileno Alfredo Jaar, concebida para a cúpula do Centro Cultural Sesc Quitandinha. O percurso inclui ainda experiências imersivas ligadas à arte cinética que dialogam com nomes como Julio Le Parc e Carlos Cruz-Diez, em instalações de luz e movimento que convidam o público a vivenciar experiências sensoriais próximas ao “banzeiro”, termo amazônico associado ao movimento intenso das águas e ao estado de vertigem provocado por elas.
Outro destaque é a instalação Serpentes, de Jaider Esbell, que ocupa, pela primeira vez, o Lago do Quitandinha. Composta por esculturas infláveis, a obra integra o percurso expositivo e amplia a relação da mostra com a paisagem e com a presença simbólica das águas. Também integram a exposição artistas como Ayrson Heráclito, Caio Reisewitz e Emilija Škarnulytė.
Ao reunir artistas, escritores e diferentes perspectivas sobre as águas, Mais belo é o rio que corre convida o público a pensar os rios não apenas como recursos naturais, mas como presenças vivas e indispensáveis. Em tempos de crise climática, a exposição propõe imaginar outras formas de coexistência, mais atentas à diversidade, à interdependência e à continuidade da vida.

