Magister Raffaello | MAB FAAP (Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado)

Autorretrato de Raffaello Sanzio_ atualmente em exposição na Galeria Uffizi em Florença

O MAB FAAP (Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado) recebe a partir de 28 de outubro a exposição multimídia Magister Raffaello. Promovida pelo Consulado Geral da Itália em São Paulo, com o apoio do Instituto Italiano de Cultura, em comemoração ao 500º aniversário de morte de Raffaello Sanzio no ano de 2020, a mostra foi idealizada para conduzir o visitante em uma viagem pela vida e obra do pintor, considerado um dos maiores artistas do renascimento italiano.

Para retratar a carreira desse mestre renascentista, as instituições italianas trouxeram para São Paulo uma exposição multimídia, dividida em seis áreas temáticas com grandes telas que projetarão suas obras a partir de uma cronologia que segue o crescimento humano e profissional do artista, levando o visitante a descobrir as cidades por onde ele viveu e as obras que criou.

Com essa exposição, a Itália, pátria do Renascimento, quer comemorar e homenagear o gênio artístico de Raffaello que, apesar de ter morrido com 37 anos de idade, virou um dos artistas universalmente mais conhecidos de todos os tempos.

O que o Renascimento representou na história da arte e da cultura mundial é lembrado pela exposição por meio de obras de Raffaello descritas em formato multimídia: uma exposição que visa falar do antigo por meio do moderno, colocando em diálogo as pinturas do começo do século XVI com o universo multimídia da contemporaneidade. Qual jeito melhor de mostrar a atualidade de uma pintura e de um movimento artístico que viraram imortais?

Por meio desse evento, as instituições italianas confirmam o compromisso na cultura como ferramenta de promoção da Itália no mundo, assim como de diálogo entre países e povos.

É com o este intuito de aproximar os povos por meio da linguagem universal da arte que a exposição de Raffaello também chegará até as escolas públicas paulistanas, graças a um projeto realizado pelo Consulado Geral em parceria com a empresa italiana Panini, que prevê a distribuição de 10 mil álbuns de figurinhas da exposição aos estudantes das escolas parceiras. O objetivo é que a cultura vire meio de diálogo e de crescimento por meio de diversão e leveza.

A exposição, criada por Magister Art, está fazendo a volta ao mundo, já tendo passado por quatro países de três continentes diferentes: Mexico, Vietnã, Áustria e Chile.

O MAB FAAP aderiu com entusiasmo a esse projeto, confirmando a sua natureza eclética e aberta ao diálogo e à diversidade, sendo um excelente parceiro das instituições italianas em São Paulo.

Sobre a exposição

Imagem da exposição quando esteve no Hanoi Museum_ Vietnã

O passeio pela mostra começa com um autorretrato de Raffaello, atualmente em exposição na Galeria Uffizi em Florença, e a cronologia dos principais momentos de sua vida. A primeira sala temática, Espaços Habitados, traz o quadro

A cidade ideal, de autor desconhecido, mas contemporâneo a Raffaello, e que convida o visitante a começar a jornada partindo de Urbino, cidade onde o artista nasceu, para chegar à Città di Castello. A cidade ideal inspirou Raffaello, que a representará em sua primeira obra-prima – O casamento da virgem, exposto na Galeria de Brera em Milão, cidade-irmã de São Paulo. O artista estava em plena luta pela sobrevivência artística quando chegou a Città di Castello e concebeu a pintura, feita para uma igreja da cidade, inicialmente encomendada à oficina do artista Pietro Perugino.

Na sala seguinte, Encontrando Equilíbrio, o público poderá vivenciar um período altamente produtivo da vida de Raffaello. O artista que já residente em Florença neste período, recebe a encomenda de uma nobre e rica família de Perugia para a criação de uma obra em homenagem ao herdeiro da família, morto em uma rixa familiar. A obra A Deposição, que poderá ser apreciada, traz a revolução realizada pelo mestre ao relatar a deposição de Cristo: o jovem Grifonetto Baglioni segurando o lençol com o corpo de Cristo.

No terceiro espaço, A Espiritualidade Nobre, o visitante é recebido por uma coleção de madonas e retratos femininos e masculinos, encomendados a Raffaello tanto por clientes religiosos como seculares como a família Doni, a mesma que encomendou a Michelangelo a pintura redonda do chamado Tondo Doni, exposta na Galeria Uffizi.

A sala Os Aposentos Papais retrata as boas relações de Rafael com Roma, graças ao seu talento e habilidade. A Escola de Atenas, A expulsão de Heliodoro do templo e O fogo no Borgosão obras inéditas na arte ocidental que enriquecem as chamadas Salas de Raffaello, nos Museus Vaticanos.

Por fim, na sala Utopia e Poder, a jornada pela vida e obra de Raffaello termina com a obra A Transfiguração, última pintura que simboliza o fim prematuro de uma vida. O artista fez a pintura para o cardeal Júlio de Médici, nomeado para a Catedral de Narbònne. A obra foi comparada a outra bela pintura, A ressurreição de Lázaro, de Sebastiano del Piombo, o grande rival de Rafael, aluno de Michaelangelo.

Ao longo deste percurso, o visitante encontrará também as “portas do conhecimento”, que mostram imagens de obras de Raffaello e de outros artistas contemporâneos ou conhecidos por ele.

A visita poderá ser acompanhada por um audioguia, que será disponibilizado no museu. O visitante poderá, ainda, baixar na loja de aplicativos de seu celular um aplicativo que também servirá de audioguia, especialmente criado para esta exposição.

A curadoria de Magister Rafaello é de Claudio Strinati, historiador de arte, especialista em pintura e escultura renascentista, e de Federico Strinati, gestor de promoção e patrimônio cultural.

Um dos maiores artistas do renascimento italiano

Retrato de Maddalena Doni

Rafael Sanzio nasceu em Urbino, na Itália central, em 1483, e morreu em Roma, em 1520. O artista começou a trabalhar muito jovem e sua grandeza logo foi reconhecida e apreciada em sua época. Ao longo dos séculos, após sua morte, com apenas 37 anos de idade, sua fama foi se consolidando, e Raffaello se tornou um dos artistas mais estudados e admirados do mundo.

O artista viveu e trabalhou nos centros mais importantes do Renascimento italiano: Urbino, Città di Castello, Florença e Roma. Ao longo de sua jornada, assimilou um conceito fundamental: o quanto a arte pode enriquecer a vida de uma pessoa. A arte, com suas formas belas e agradáveis, representa uma condição ideal de bem-estar, felicidade e serenidade a que o ser humano, ao longo dos séculos, sempre aspirou.

Em Urbino, cidade onde nasceu e onde seu pai deixara de herança uma oficina de arte, Rafael não conseguia se lançar como artista e não chegaria a pintar qualquer obra. Ainda adolescente, ele se mudou para centros menores, onde seu trabalho encontrou aceitação e apreciação.

Pintou especialmente em Città di Castello, com os olhos sempre voltados para Perugia, a terra do pintor mais importante da época, Pietro Vannucci, conhecido como Perugino, cujo estilo (e mentalidade) assimilou.

Sob forte recomendação da duquesa Giovanna Feltria della Rovere, Raffaello seguiu para Florença, a Capital das Artes, e lá conseguiu obter encomendas de famílias abastadas. A sua fama de retratista supremo e pintor magistral de imagens sacras, para uso privado, chegou aos ouvidos de Atalanta Baglioni, uma nobre perugina, muito influente na política e na cultura da Itália central da época, que lhe confiou a tarefa de uma obra crucial, destinada à igreja de São Francisco: O transporte de Cristo ao sepulcro, uma obra de notável significado político e estético.

O sucesso triunfante dessa obra levou Bramante, o arquiteto da Basílica de São Pedro, em Roma, curador do Papa Júlio II della Rovere, a chamar Raffaello à Cidade Eterna para confiar-lhe a tarefa exclusiva de pintar os aposentos papais. O surpreendente resultado alcançado no primeiro aposento, a Sala da Assinatura, encorajou eclesiásticos ilustres, empresários leigos e nobres em posição privilegiada a dar-lhe todo tipo de atribuições artísticas, diplomáticas e culturais.

O roteiro que define a produção artística de Raffaello se tornou percurso turístico “alternativo”, que permite ao viajante conhecer de perto as raízes da produção artística italiana que não se resume as visitas a Roma, Florença, Milão e Veneza.

Em apenas seis anos, a partir de 1509, Raffaello se tornou o primeiro consultor supremo de Júlio II e, depois da morte desse pontífice, em 1513, de seu sucessor, Leão X. Foi principalmente por intermédio de Leão X que o mestre se viu na condição ideal de homem da corte, rodeado de amigos ilustres e influentes, como Baldassar Castiglione. Raphael também se tornou o fundador de uma Escola, por meio da qual conseguiu receber um número considerável de novos pedidos e comissões.

De 1515 até sua morte, Raffaello trabalhou ainda como arqueólogo, pintor de cenas teatrais e arquiteto, embora, nesse período, Leão X tenha preferido utilizá-lo mais para obras instrumentais, como os desenhos para as tapeçarias da Capela Sistina ou para as homenagens ao Rei da França Francesco I e sua esposa, por ocasião de importantes acordos diplomáticos e familiares.

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