Mac Adams | CAIXA Cultural RJ

A Caixa Cultural Rio de Janeiro recebe a exposição Mens Rea: a cartografia do mistério, de Mac Adams, um dos fundadores da Arte Narrativa (Narrative Art). O artista ministrará uma palestra sobre seu processo criativo no dia de abertura, às 19h30. A curadoria da exposição é assinada por Luiz Gustavo Carvalho.

Inédita na capital carioca, a exposição apresenta ao público 15 dípticos fotográficos da icônica série “Mistérios” e uma seleção da série “Tragédias Pós Modernas”, desenvolvida pelo artista na década de 1980 como uma forma de reflexão sobre as políticas econômicas desenvolvidas por Margaret Thatcher e Ronald Reagan, no Reino Unido e nos Estados Unidos, respectivamente.

Provocando colisões híbridas entre tragédias sociais e utensílios de design, os objetos espelhados cromados fotografados por Mac Adams refletem nas suas superfícies situações violentas e inquietantes, que contradizem completamente as formas metálicas perfeitas. “Em uma época onde a palavra pós-verdade foi escolhida como uma das palavras que melhor representa a nossa sociedade, é impressionante ver a contemporaneidade desta série em diversas culturas”, comenta Luiz Gustavo Carvalho.

Com uma obra que encontra as suas raízes na rica tradição oral e escrita dos contos do País de Gales, nos romances de Arthur Conan Doyle e no cinema de Alfred Hitchcock e de noir, Mac Adams desenvolveu ao longo das últimas décadas um trabalho de importância singular em duas e três dimensões, explorando o potencial narrativo da fotografia e da instalação na composição e construção de cenas misteriosas que levam o público à fronteira das normas sociais.

Como um contador de histórias, ele utiliza fotografias e objetos, em uma estreita relação semiótica. A exposição Mens Rea: a cartografia do mistério apresenta ainda três esculturas do artista anglo-americano em torno da sombra. Este elemento, que vem fascinando a humanidade desde a Antiguidade, é abordado por Mac Adams, por meio de esculturas, nas quais estruturas abstratas projetam sombras figurativas. Estes trabalhos, onde a escultura se transforma em pintura e fotografia, influenciaram importantes artistas americanos tais como Tim Nobel e Sue Webster.

“Esta faceta do trabalho de Mac Adams é dotada de um humor singular. No entanto, em toda a sua obra, ele sempre nos obriga a interrogar a veracidade de elementos que transitam entre a realidade e a ficção”, ressalta o curador.
Na exposição, ainda haverá a instalação site specific Cartografia de um crime, criada especialmente para a mostra no Rio de Janeiro. Nesta instalação, o artista reflete sobre a memória e o esquecimento, por meio de uma relação passional obsessiva. Para isso, Mac Adams constroi um diálogo entre suas imagens e fotografias provenientes do arquivo do Museu Nicéphore Niépce (França), um dos mais importantes da Europa.

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