Lulla & Piero Gancia | Edifício Itália

A LUSTE, Atelier Editorial & Multimídia, em parceria com o Grupo Comolatti, exibe a partir do dia 12 de junho, imagens que ilustram o livro Lulla & Piero Gancia – No Grande Prêmio da Vida, de autoria de Carlo V. Gancia, em 8 backlights de grande formato, com 28 fotografias, em exposição no Lobby principal do Edifício Itália – Circolo Italiano San Paolo como um tributo ao intenso e profundo sentimento que unia o casal. A curadoria é de Marcel Mariano e Serena Ucelli. No livro, o autor narra uma passagem da história da imigração italiana no Brasil, com ênfase na chegada da Família Gancia na década de 1950 e sua influência no estilo de vida da época

Lulla & Piero Gancia, com denso vigor e atuação no circuito cultural paulistano e forte ligação com as pistas, estabelecem novos parâmetros e deixam sua marca na vida contemporânea da cidade com uma visão vanguardista em todos os setores a que se dedicam. O casal era movido tanto pelo amor que os unia como pelas paixões com que abraçavam suas metas e causas. Amavam o Brasil, país escolhido por eles para viver e criar os três filhos – Kika, Carlo e Barbara -, os vinhos e o automobilismo. Nas palavras de Carlo Gancia, LULLA & PIERO GANCIA- No Grande Prêmio da Vida” – é um livro a ser lido para se saber como acaba. Garanto que a vida dos dois é uma epopeia a ser saboreada tanto pelos percalços que sofreram mas também pelas lindas coisas que criaram”.

 

…um pouco do conteúdo do livro, por Carlo Gancia:

“(…) Lulla e Piero nasceram em Turim, no Piemonte, noroeste da Itália e, quando estavam para chegar à maioridade, estourou a Segunda Guerra Mundial, da qual participaram ativamente. Terminada a guerra se casaram e tiveram um primeiro filho, que nasceu no dia que iniciou a Guerra da Coréia, guerra que até hoje não terminou, isso era em junho de 1950, dia 25 quando nasci. Durante os dois primeiros anos da Guerra da Coréia temia-se que pudesse se transformar na Terceira Guerra. Lulla e Piero resolveram emigrar, indo para o Uruguai onde nasceu minha irmã Kika. Mas Piero, apesar da vida boa no Uruguai decidiu tentar a sorte no Brasil, o sempre país do futuro. Kika e eu chegamos no Brasil com nosso pai, pois minha mãe havia decidido fazer a viagem até São Paulo de carro com o irmão do meu pai. Praticamente, não havia asfalto na época, passava-se da terra seca e emperrada ou ao barro profundo; a viagem tomou seis dias.

Os neófitos em Brasil aqui chegaram em 1951 e meu pai montou uma fábrica de aperitivos e uma vinícola; um negócio que a família Gancia estava metida desde 1850.

O tempo foi passando até um dia em janeiro de 1962, por uma razão muito fortuita Piero inicia a correr de automóvel. Lulla não aprova e chega quase a brigar com Piero mas ele, com seu charme e calma, consegue convencê-la a dar umas voltas em Interlagos. Lulla gosta e começa a correr e, nas corridas longas, a organizar os boxes da equipe de Piero. Em 1966, Piero se torna o primeiro Campeão Brasileiro de Automobilismo da história.

Interlagos, que havia sido inaugurado em 1940, após 26 anos sem alguma manutenção está totalmente obsoleto. Em 1967, com a ajuda dos pilotos de São Paulo, convence o então prefeito, o carioca Faria Lima, a finalmente fazer uma reforma no autódromo. Faria Lima nomeia Lulla para tocar a obra.

Filha de engenheiro e neta de um famoso arquiteto, Lulla sabia o que fazer; era o que sempre sonhou. Foi à Itália falar com o presidente do Autódromo de Monza, que lhe dá a receita do que deveria fazer.

(…) Quando a reforma do Autódromo de Interlagos terminou, Emerson Fittipaldi estava saindo para a Europa onde se destacaria com uma meteórica  carreira. Quatro anos após terminadas as obras, o Brasil tinha os seu primeiro GP de F1. Obra da Lulla que o machismo de alguns preconizava que nada produziria.,

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