Em novembro, em comemoração aos 30 anos da Referência Galeria de Arte, Luiz Aquila retorna a Brasília para a sua primeira individual na cidade em 16 anos. O pintor carioca ocupará as duas salas de exposição da Referência com a mostra inédita “Boogie Woogie”, uma série de pinturas, gravuras e serigrafias inéditas. Com curadoria de Renata Azambuja, a exposição abre no dia 25 de novembro, das 18h às 20h. Em exibição até 17 de janeiro de 2026, a mostra pode ser vista de segunda a sexta, das 10h às 19h, e sábado das 10h às 15h. A entrada é gratuita e livre para todos os públicos. A Referência Galeria de Arte fica na CLN 202 Bloco B Loja 11 Subsolo, Asa Norte, Brasília – DF. Telefone: +55 (61) 3963-3501; WhatsApp: +55 (61) 981-623-111. No Instagram, @referenciagaleria.
Luiz Aquila criou uma linguagem cromática própria, desenvolvida a partir dos anos 1960. A curadora Renata Azambuja afirma que o artista caminha há seis décadas em paralelo à produção contemporânea. “Sua pintura pode dar a impressão de estar na contramão do que trata a arte contemporânea de hoje, que busca uma narrativa, uma crítica ou uma ironia. Mas é justamente o contrário”, afirma a curadora. A obra de Aquila nos faz pensar sobre o tempo, o espaço, o caos, a liberdade, o corpo, a presença e a ausência do sensório. Aquila se mantém nessa espécie de insistência do pintar dessa maneira. Muito vibrátil, alegre, ousada e, de certa maneira, despudorada.
“As obras de Aquila aproximam-se mais do espírito agitado e improvisado do gênero, embora também recorram à repetição, na medida em que cada peça se comunica com as demais pelas vibrações das cores e linhas que, no espaço, se organizam como conjunto.”
Renata Azambuja, curadora
A colaboração entre artista e curadora nasce de uma afinidade conceitual e afetiva, sustentada pela convicção de Aquila de que a cor desencadeia respostas sensíveis imediatas. É a partir desse entendimento e do “modo-desenho” — procedimento que o artista reconhece como pensamento em ato — que se estrutura a seleção das obras apresentadas. O reencontro entre artista e curadora por ocasião da realização da mostra “História(s) da arte brasileira | multiplicidade da coleção Moraes e Oliveira” (CAIXA Cultural Brasília, 2025), ativou memórias da permanência de Aquila em Brasília e da convivência com nomes fundamentais da Universidade de Brasília. Nesse processo, veio à tona o núcleo poético de sua trajetória: uma linguagem cromática própria, desenvolvida desde os anos 1960, que sustenta seis décadas de produção em paralelo às tendências contemporâneas. Sua pintura, vibrátil, ousada e alegre, convida a refletir sobre tempo, espaço, caos, liberdade, corpo e presença sensorial, insistindo numa maneira de pintar que resiste a narrativas e modismos, afirmando-se por sua autonomia e força interna.
Uma pintura de 1978 foi escolhida como ponto de partida para o percurso expositivo, evocando as viagens do artista pelo interior de Goiás e a paleta “diluída a cal” observada nas arquiteturas e nas paisagens humanas da região. A partir dela, desdobra-se uma compreensão ampliada de sua prática, na qual a pintura se apresenta como campo de tensão e ressonância, articulando formas, linhas e massas de cor que operam sem subordinação a regras prévias. Para Áquila, o trabalho se constitui como processo contínuo, que retorna a si mesmo em diferentes momentos, como se vê em A pintura e o pintor no espaço (2000–2025) e nas séries A pintura bem na fita e A pintura antes da fita (2025). Segundo o artista, cada retomada transforma a pintura, revelando novas conexões e emergências do inconsciente. Assim, mesmo diante da sucessão de fases e movimentos da arte brasileira, Aquila mantém o compromisso de evolucionar dentro de seu próprio percurso, nutrindo uma poética marcada pelo desejo profundo de liberdade, perceptível nas sinuosidades, nas geometrias intuitivas e nas massas cromáticas que caracterizam sua obra.
Essa lógica de transformação constante encontra novo fôlego na série Boogie-Woogie, criada especialmente para a mostra, em que o artista dialoga com o espírito improvisado do blues. São pequenas pinturas sobre papel que se comunicam pela vibração cromática e pela estrutura rítmica, formando um conjunto instalativo sem perder a autonomia de cada peça. A expansão da pintura para materiais e suportes alternativos — como o Macião (2015), sobre tecido, e os Bacalhaus (2003), sobre bambu e papel — reafirma sua relação direta com o mundo, incorporando o acaso e o imprevisto como elementos estruturadores. Assim, Aquila confirma sua condição de artista em permanente processo, um verdadeiro work in progress, cuja obra se renova continuamente e afirma sua singularidade dentro do panorama da arte contemporânea.

