LUCIO SALVATORE | Museu do Meio Ambiente | Jardim Botânico do Rio de Janeiro

O Museu do Meio Ambiente do Jardim Botânico do Rio de Janeiro recebe, a partir do dia 16 de junho, a exposição inédita “Fluxo Gênico”, do artista ítalo-brasileiro Lucio Salvatore. A mostra, que ocupa o segundo pavimento do espaço, é correalizada pelo Instituto Inclusartiz e apresenta cerca de 24 obras inspiradas em trabalhos científicos realizados pela Diretoria de Pesquisa do JBRJ.

“É com grande prazer que o nosso instituto promove esta exposição e o trabalho de Lucio Salvatore, este artista com uma produção tão focada na integração social, sempre gerando diálogos entre Brasil e Itália, e na sustentabilidade ambiental, dois pilares fundamentais do Inclusartiz”, declara Frances Reynolds, presidente e fundadora da organização cultural não governamental à frente da exposição.

Esta é a segunda vez que o artista, cujo trabalho centra-se em projetos multidisciplinares criados a partir da sua condição de estrangeiro, expõe no local. “Em 2008, apresentei pela primeira vez o meu trabalho no Rio de Janeiro, justamente no Jardim Botânico, no aniversário de 200 anos da sua fundação, e retornei pensando numa exposição em homenagem aos pesquisadores científicos do local, cuja linguagem e pensamento crítico, antídotos às narrativas pseudocientíficas autorreferenciais, lidam com o universo estudado com respeito, paixão e empatia”, revela.

A produção de Salvatore é vista como uma pesquisa sobre o significado de fronteira, a distância que passa entre o que o indivíduo percebe e a narrativa criada a partir dessa percepção, bem como da expectativa na qual se baseiam os julgamentos e as categorias mentais que o artista tenta deslocar para territórios mais incertos e abertos.

A nova exposição se alinha com um dos traços importantes de sua poética, que, como ele mesmo afirma, se baseia no interesse pelo “processo de construção de sentimentos e afetos a partir da fabricação de narrativas e expectativas que são decisivas quando a questão é relativa a origem, identidade e pertencimento”.

O contexto biológico híbrido do Jardim Botânico, composto por espécies nativas, cultivadas, espontâneas, exóticas e naturalizadas de diferentes descendências, é um lugar ímpar para se pensar a complexidade das consequências da migração, da colonização, da sobrevivência das plantas, suas adaptações ao ambiente local e os seus efeitos nas percepções e nas expectativas sobre o que é considerado originário.

OBRAS

A obra “Daninhas” apresenta uma pesquisa de campo coordenada pela pesquisadora em etnobotânica e curadora da Coleção Temática de Plantas Medicinais do Jardim Botânico, Viviane Kruel, sobre as ervas espontâneas que habitam as margens do arboreto, normalmente invisíveis às pesquisas científicas e malvistas pela cultura popular.

Composta por seções de um tronco de árvore caído por causas naturais e fragmentos de mármores pintados com linhas que ampliam os círculos dos troncos, “Xilopedras” expande a história desta árvore em um testemunho arqueológico da sua própria história.

“Fluxo Gênico” apresenta ainda uma nova obra da histórica série de Salvatore, “Caixas de Ar”, que consiste em coletas de ar como espécimen de lugares simbólicos. Para a exposição no Museu do Meio Ambiente, o artista extraiu o ar de áreas significativas do arboreto do Jardim Botânico, como da aleia de paus-mulatos originários da Amazônia, para a obra “Ar Mulato”.

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