Em agosto, Luciana Paiva apresenta “Vértice-Abismo”, sua primeira individual na Referência Galeria de Arte. A mostra reúne obras que questionam o valor do gesto manual em um mundo digital, afirmando o corpo como instrumento político e poético. Com curadoria de Graça Ramos, a artista traz para a Sala Principal objetos escultóricos em materiais diversos, como o papel e o metal, e uma videoperformance resultante do processo construtivo de uma de suas obras. A exposição abre ao público no dia 2 agosto, às 16h e fica em cartaz até o dia 13 de setembro, com visitação de segunda a sexta, das 10h às 19h, e sábado das 10h às 15h. A entrada é gratuita e livre para todos os públicos. A Referência Galeria de Arte fica na CLN 202 Bloco B Loja 11 Subsolo, Asa Norte, Brasília – DF. Telefone: +55 (61) 3963-3501; WhatsApp: +55 (61) 981-623-111. No Instagram, @referenciagaleria.
Em “Vértice-Abismo”, Luciana Paiva reúne três conjuntos de obras inéditas realizadas entre 2024 e 2025. “Vertigem 451” é um painel de treliças cortadas manualmente, apresentado junto ao vídeo que registra o processo meticuloso de construção da obra. “A relação temporal também aparece no título do trabalho, 451 é a quantidade de horas que foram empregadas para realizar o painel”, ressalta a artista. Já as esculturas modulares de metal chamadas Voo 1, 2 e 3 têm como ponto de partida o estudo das “ogivas” do artista Alfredo Volpi. Também integra a mostra um conjunto expressivo de livros da série ‘Desmesuras’, realizados a partir da interferência de papéis azuis sobre livros antigos em miniatura.
Luciana explora o aparente paradoxo entre ordem e desmesura através de obras que unem rigor geométrico e mergulho sensorial. “Essas questões já estavam presentes no meu trabalho, mas eram apresentadas a partir da relação com a escrita e no uso do texto e dos caracteres como imagem. Nessa exposição essas relações ficam em segundo plano”, afirma a artista visual.
Graça Ramos ressalta em seu texto curatorial que o conjunto de trabalhos que forma a mostra está regido pela abstração. As obras ultrapassam o limite de percepção imediata. Elas passam a suscitar inesperados efeitos óticos – por vezes hipnóticos – e a produzir inúmeros questionamentos. “A abstração geométrica me interessa pela amplitude do que ela pode abarcar, ela está na natureza assim como está no pensamento”, diz Luciana.
“No jogo entre a economia da forma física, a repetição dos elementos, e a provocação de sensações, se a intensidade estrutura a poética, o recado da artista é político”, afirma a curadora. E completa: “Luciana revela um posicionamento político sutil: interpela-nos sobre o valor do tempo investido na criação.”

