Lucas Länder | Galeria Base

Composta por desenhos em grafite, nanquim e veladura de cera sobre papel, a exposição Imanências, da Lucas Länder, faz um recorte preciso sobre a obra do artista desde 2005 até 2021, fragmentos de fatos e episódios separados: “O passado, assim, é descontínuo”, explica o curador.  Assim, essa organização das frações de memória é a base da obra de Lucas, com séries que abordam discussões atuais, de questões contemporâneas, que estão presentes na vida de todos nós. Uma delas chama-se “Paisagens Descritivas”, que teve início em 2015 e deixa claro o anseio de organizar o cenário de memória (real ou fictícia). Nela, Länder faz uso do grafite e nanquim, de maneira ágil e muito viva, que chega a transcender a paisagem, propondo um diálogo entre o imediatismo da imagem e as memórias, anseios e seus próprios questionamentos. Outras têm origem em retratos que, quando impressos em papel, ganham a interferência do artista, de maneira mais colérica, tornando evidente o caráter descartável que a imagem ganhou atualmente e, ao mesmo tempo, mostra o enfrentamento à sua imagem, tanto a registrada quanto à arquivada em sua memória. Outra produção que merece destaque refere-se à mais recente criada pelo artista, feita em 2021 e que traduz os tempos atuais dando origem a imagens ainda mais densas, refletindo o novo cenário: com toques de medo, agonia e até insegurança, com pretos intensos, quase catastróficos. São imagens que beiram a abstração potente! Tanto que parece ecoar a dor vivida, ainda tão latente em todos nós. Ao todo, serão apresentadas cerca de 35 obras.

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