Pensada especialmente para o hall do Museu da Escola Catarinense (MESC), em Florianópolis, a exposição Forma e Farsa, do artista visual Lucas Flygare, começa a ganhar corpo a partir do dia 19 de fevereiro. O artista realizará uma residência artística no local, e o processo de montagem da intervenção site-specific, desenvolvida a partir das características arquitetônicas do museu, poderá ser acompanhado de perto pelo público visitante, que, além de observar o trabalho em andamento, terá a oportunidade de dialogar com o artista.
A instalação será composta por filme stretch, grama sintética e objetos escultóricos produzidos com madeira reaproveitada, cerâmica e outros materiais recuperados. Esses elementos formam um ambiente povoado por corpos ocos e objetos híbridos, figuras instáveis que parecem agir, anunciar algo ou cumprir funções que nunca se completam. São estruturas atravessadas por repetição, encenação e desgaste, insistindo em operar mesmo quando já não entregam sentido pleno.
Lucas explica que a farsa aparece como método. “Gestos se repetem sem produzir avanço, corpos se mantêm em posição, objetos prometem utilidade e oferecem ruína. Entre o monumental e o precário, entre o espetáculo e a exaustão, as obras tentam construir um teatro silencioso no qual a forma expõe suas próprias engrenagens”, explica o artista.
Formada por diferentes elementos escultóricos, Forma e Farsa funciona como uma única obra, articulada pela relação entre arquitetura, materiais e corpos. “A instalação propõe ao visitante atravessar esse campo instável, onde a encenação persiste e os mecanismos que organizam corpos e objetos se tornam visíveis”, destaca Lucas.
A curadoria da mostra inédita é de Lucila Horn, que acompanha o trabalho do artista na consolidação de uma pesquisa iniciada em 2023, após a exposição individual na Galeria Municipal Pedro Paulo Vecchietti, em Florianópolis. “Desde então, tenho aprofundado tanto os aspectos conceituais quanto as experimentações materiais que agora se consolidam nesta mostra”, compartilha o artista.
Embora esta seja a primeira exposição do artista no MESC, o artista tem uma ligação com o espaço, é que uma obra dele integra o acervo do Museu da Escola Catarinense. Para Lucas, o museu é um dos espaços expositivos mais marcantes da cidade. “O hall de entrada oferece uma escala ampla e uma arquitetura que permite pensar a instalação em dimensões maiores, criando possibilidades que dificilmente seriam viáveis em outro espaço na cidade. É um ambiente que favorece a experimentação e impacto visual”, completa o artista.
Proposta executada pelo Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), com recursos do Governo Federal e da Política Nacional Aldir Blanc.
Além de acompanhar a montagem da instalação, o público poderá participar de duas rodas de conversa. Uma no dia 25 de fevereiro e outra no dia 5 de março de 2026 às 18h. Ambas contarão com intérprete de Libras. A visitação no Museu da Escola Catarinense, localizado na Rua Saldanha Marinho, 196, no Centro de Florianópolis/SC, poderá ser feita até 6 de março, de segunda a terça das 13h às 19h, de quarta a sexta das 10h às 19h e aos sábados, das 10h às 17h.

