Lorena Moreira | ESPAÇO CULTURAL CORREIOS NITERÓI

Em sua primeira exposição individual, a artista Lorena Moreira, apresenta uma série de pinturas que opera como delírio reparador.

O desejo, canalizado pela cor, pelo gesto, pelo movimento, dá forma a emoções que viviam em cárcere. Um modo de consertar o corpo e o mundo interno.

Essa dinâmica de conserto e ruptura atravessa toda a série: o corpo se desfaz no delírio quase alucinatório, para então renascer no movimento, no erotismo, na dança, um “eterno remendo”, em que o desejo assume o lugar do reparador. O toque, o tesão, a sede, a coragem. Todos ingredientes ativos dessa alquimia psíquica.

Pintar é também um gesto de reparação: uma tentativa de colar os pedaços de um corpo que já foi tomado. Cada imagem carrega um vestígio desse processo. Mas para renascer, é preciso primeiro morrer um pouco. É preciso o frio, o colapso, o desamparo, momentos em que o corpo perde forma para, só então, recuperar o movimento. O choque de estar vivo não é apenas perceber-se inteiro, mas aceitar-se em partes, em conflito, em desejo.

Caminhar entre, aqui, é tarefa existencial. Um processo cheio de culpa e esperança que cria a possibilidade de um novo vínculo, um corpo recuperado.

Na trajetória de cada obra, algumas figuras dançam solitárias, expressões despudoradas do delírio individual. Outras se roçam, se alinham, se elevam, uma coreografia coletiva que aponta para uma nova realidade possível.

É nesse compasso, no vai e vem, de aproximação e afastamento, que a música recomeça, os corpos voltam a girar e o mundo volta a pulsar dentro da carne.

A curadoria é de Carla Oliveira.

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