Looking for someone [videoarte] | Lona Galeria

Looking for Someone é o título da exposição de videoarte que acontece na Lona Galeria, de 26/10 a 30/11. São quatro videoperformances montadas como instalações dos artistas Clara de Cápua, Xikão Xikão, Jp Accacio e Luiz83, que têm o corpo como referência primeira na criação de espaços reais, virtuais, digitais ou naturais. Com curadoria de Ivi Brasil.

Corpo. Movimento. Ação. Campo de batalha, meio, suporte, performance. Corpo como lugar de entendimento do mundo, de troca com o mundo, de interação com o mundo. Corpo-mundo.

Looking for someone, terceira mostra de videoarte do Cine Lona, apresenta quatro videoperformances que percorrem vias diversas: autorreconhecimento e exploração, confronto e harmonia, exteriorização e encontro. Os artistas Clara de Cápua, Jp Accacio, Luiz83 e Xikão Xikão expõem-se em cenários reais e virtuais, flanam pelo mundo com suas próprias bússolas, constroem identidades, diálogos, enigmas revelações. Os trabalhos foram realizados pelos próprios artistas e têm em comum a busca por uma identidade, por um espaço no mundo. A busca pelo eu que emana dos vídeos inspira livremente esta mostra, que pode ter como trilha musical a canção Within’, da dupla Daft Punk: “I’ve been for some time / Looking for someone / I need to know now / Please, tell me who I am.”

Vagando pelo mundo, construímos marcações para nos balizarmos, criamos pontos de atração, construímos cercas invisíveis e espaços de descanso, encontro e partida. Sempre à espera. O mundo parece todo mapeado, detalhadamente exposto, vigiado, setorizado e, ultimamente, hiperreal ou fake.

As câmeras nos observam, sabem onde estamos e o que fazemos, reconhecem rostos e corpos escaneados, detectados, invadidos e rastreados. Em Control Freak, Jp Accacio perde-se em um labirinto de câmeras sentinelas e é perseguido por todos os lugares, já em Ações Subversivas Para Fruição de Redes Sociais, Xikão deixa-se exibir em rede global, onde contamina-se pelos tantos conteúdos. Jp exercita o impossível em um sistema de vigilância – estar em todos os lugares ao mesmo tempo – em uma metáfora à onipresença que os meios digitais nos delegam. Xikão lê histórias nas redes sociais, mas não nos deixa ver as imagens, tão cruciais neste momento de selfies. Temos apenas o olhar e os trejeitos do artista diante da luz do celular e um quebracabeça indecifrável de histórias interligadas por hipertextos (hash tags, stories, feeds, perfis e marcações).

Em contraposição, em Uma pedra é uma pedra é uma pedra Clara de Cápua monta um menir para localizar-se por entre as estranhas luzes que a cegam no deserto gelado da Islândia. Sozinha, frente à frente com a natureza selvagem, ela cava, empilha pedras, caí e arrasta-se durante a tempestade. A força da natureza desafia o corpo e o clima é o mood da ação que se desenrola sempre no mesmo lugar. Os desafios se estendem pelo corpo social, que clama por reconhecimento e espaço, como afirma Luiz83 em Somos antagônicos. Diante de eternas divergências, o artista nos faz observar e pensar sobre nossas diferenças políticas, raciais, culturais, sociais etc. Ele nos faz pensar quais papel e espaço nos cabem e, novamente, quem nos vigia. E mais uma vez procuramos por alguém, ou por nós mesmos.

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