Livros e Arte | Casa Roberto Marinho

Mergulho gráfico: exposição reúne trabalhos de nove artistas
contemporâneos em diálogo com obras gráficas artesanais de raro preciosismo, na Casa Roberto Marinho

A exposição Livros e Arte, que será inaugurada no dia 3 de outubro de 2020, na Casa Roberto Marinho, reúne 149 trabalhos de nove artistas, no andar superior do instituto.

A curadoria de Leonel Kaz parte de livros de artista organizados pela UQ! Editions – parceria editorial entre Kaz e a designer Lucia Bertazzo – em publicações plásticas e/ou conceituais, acerca das obras de Antonio Dias, Ferreira Gullar, Frans Krajcberg, Leo Battistelli, Luiz Zerbini, Paulo Climachauska, Pedro Cabrita Reis, Roberto Magalhães e Wanda Pimentel. A mostra propõe um diálogo entre as obras gráficas e pinturas (sobre diferentes suportes), esculturas, desenhos, monotipias, fotografias, vídeos, instalação e outras linguagens. Sula Danowski assina o projeto cenográfico e o design.

De acordo com o curador, a exposição se desdobra em nove individuais: “Cada sala é consagrada a um artista e os livros exibidos evidenciam o envolvimento físico de todos eles, num processo extremamente artesanal. A mostra revela a reinvenção destes grandes criadores através da arte gráfica. Aliás, esta exposição celebra as mais diversas expressões da arte gráfica no Brasil”, afirma Kaz.

Lucia Bertazzo explica que os projetos da UQ! são adaptações da linguagem de cada artista em formato editorial: “O processo parte sempre de uma conversa, em que nada está pré-estabelecido, e os exemplares resultam dessa concepção parceira. É quase uma forma de pintar livros com os pincéis dos artistas”.

Livro-gaveta, livro-janela, livro-objeto, livro-escultura: os exemplares apresentados na mostra são, em si mesmos, peças de arte. O experimentalismo das publicações revela um percurso de linguagens artísticas muito variado, com técnicas múltiplas de impressão, encadernações artesanais primorosas e materiais que vão do bambu ao aço, passando pela cerâmica e pelo acrílico.

Extraídos da bananeira, vindos da China, de Nova York ou da Guatemala, os papeis são um capítulo à parte, de sofisticada artesania, que exalta a singularidade de cada edição. Os híbridos de livros e obras de arte desafiam a forma e se materializam em versões surpreendentes: são peças únicas, que se aproximam da obra original, com
tiragem numerada.

Objetos de experimentação, com poéticas e discursos múltiplos, alguns livros poderão ser manuseados pelos leitores-espectadores em visita à exposição (a Casa Roberto Marinho vai oferecer luvas descartáveis).  “Essa arte ao alcance das mãos permitirá ao público uma relação tátil e sensorial”, comenta Leonel.

Diretor da Casa Roberto Marinho, Lauro Cavalcanti observa que o instituto reabre seus espaços com a mostra alicerçada em duas grandes paixões de seu patrono: livros e arte. “Esta relação está no DNA da Casa”, revela.

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