Livro “12 conversas e uma festa” | Martin Ogolter | Alalaô Kiosk

No dia 14 de outubro, será lançado o livro “12 conversas e uma festa”, com um registro das intervenções que o artista austríaco radicado no Brasil, Martin Ogolter, realizou nos orelhões de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, após verificar que estes objetos de design, que estão completando 50 anos, estão sumindo das ruas. Com 44 páginas, capa dura, a bem-cuidada edição terá tiragem limitada de apenas 100 exemplares. O lançamento será às 19h, no Alalaô Kiosk, no Arpoador.

A ideia do artista é que o leitor sinta como se estivesse fazendo um passeio pelas ruas do Rio de Janeiro. Desta forma, há muitas páginas em branco e doze registros das intervenções realizadas nos orelhões com lycra e uma com uma cortina de fita metalizada. “É quase como uma caminhada, de vez em quando aparece um destes orelhões, mas já não mais como objeto útil, mas como algo efêmero, assim como as fotografias”, afirma Martin Ogolter.

A lycra colorida usada nas intervenções também é o material usado na fabricação de biquínis, outro símbolo brasileiro. Cobrindo a parte da frente, onde está o telefone, com o tecido em diversas cores, o artista cria verdadeiras obras de arte nas ruas da cidade. Os trabalhos lembram o movimento artístico abstrato chamado “colorfield painting” (campos de cor). Surgido na década de 1950, em Nova York, é caracterizado por grandes áreas coloridas com uma única cor sólida, espalhada pela tela, originando pinturas planas, sem qualquer tipo de profundidade. A intervenção nos orelhões se assemelha a essas pinturas, de forma tridimensional.

O trabalho é uma continuação da pesquisa de Martin Ogolter sobre o Rio de Janeiro. Nesta série, ele pôde incluir vários aspectos de sua pesquisa como artista visual, incluindo a fotografia e a mudança de tecnologia. Ele destaca também o lado afetivo do objeto, por parte das pessoas que o utilizaram no passado. Ao cobri-los com lycra, além de transforma-los em um objeto de arte, o artista chama a atenção para outro aspecto: a construção do nosso País através do desejo. O trabalho também discute questões como o espaço privado no meio de um espaço público, a onipresença do telefone celular, além da criação de um espaço de cor em meio à sujeira e ao tumulto urbano.

Criado em 1971 pela arquiteta e design sino-brasileira Chu Ming Silveira (Xangai, 1941 – São Paulo, 1997), o orelhão, símbolo das ruas brasileiras, está completando 50 anos. “Estes objetos são um perfeito exemplo de design moderno e foram extremamente úteis, mas hoje são quase somente esculturas na paisagem da cidade. Restam poucos pelas ruas”, conta o artista.

SOBRE O ARTISTA
Martin Ogolter nasceu na Áustria. Em 1990, mudou-se para Nova York, onde se graduou na renomada School of Visual Arts. Em Nova York trabalhou como Diretor de Arte em editoras e gravadoras, como Penguin Books e Atlantic Records. A partir de 1994, Martin teve suas fotos publicadas em capas de discos, além de livros e revistas internacionais de design e fotografia, o que lhe rendeu prêmios. Desde 2003 o artista está radicado no Rio de Janeiro, onde realizou sua primeira exposição individual em 2011. Seu trabalho também foi exibido em São Paulo, Curitiba, Berlim, Hamburgo e sua terra natal, Áustria. De 2015 a 2019 foi professor de fotografia na Escola de Artes Visuais (EAV) do Parque Lage, no Rio de Janeiro.

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