Ligia Medeiros | Espaço Oscar Niemeyer

Moça na Janela

No dia 22 de novembro, das 17h às 21h, a artista plástica Lígia de Medeiros apresenta seus trabalhos inéditos em azulejaria e desenhos digitais, incluindo reelaborações de obras criadas a partir de 2017. Com curadoria de Renata Azambuja, Brazulejos reúne 23 painéis de azulejos de tamanhos variados e 18 desenhos impressos, com figuras humanas e geométricas. A mostra, realizada com o patrocínio do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), fica em cartaz no Espaço Oscar Niemeyer até 13 de janeiro de 2026, com visitação de terça a sexta, das 9h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h. Entrada gratuita e livre para todos os públicos, e conta com acessibilidade para pessoas cegas e com baixa visão por meio de QRCode para audiodescrição das obras e caderno em braile descrevendo as obras.

Lígia de Medeiros desenvolve uma pesquisa singular sobre revestimento e decoração, explorando a convergência entre arte, design e arquitetura. Suas criações evocam o diálogo entre o concreto e o poético, onde o traço geométrico se encontra com o lirismo das paisagens do Cerrado e o espírito modernista de Brasília. Sua trajetória é marcada por múltiplas vivências e reinvenções: nos anos 1980, iniciou sua atuação no Rio de Janeiro, comercializando móveis e objetos de arte; na década seguinte, em São Paulo, aprofundou-se na estética modernista; e, já em Brasília, consolidou-se na criação e produção de móveis e joias autorais, sempre inspirada nas formas orgânicas e nos ritmos da natureza.

A mostra está organizada em blocos “geradores de imagens”, como define a artista. “Há o grupo que evidencia a interação do humano com o construtivo e com a paisagem; o conjunto que aborda o feminino; o bloco que apresenta as pesquisas com a linguagem; e o agrupamento que se refere à brasilidade”, explica Renata Azambuja em seu texto curatorial.

A curadora ressalta ainda que uma das principais características de Lígia é o gosto pela experimentação com materiais, formas e cores. Sua produção traz à tona um repertório que inclui experiências no design de móveis, na moda e no trabalho como antiquária, mesmo quando lidava com móveis modernistas ainda não considerados antiguidades.

Renata Azambuja destaca o caráter múltiplo da formação e da trajetória da artista. Brazulejos oferece ao público a oportunidade de acompanhar as diversas transformações em seu processo criativo. O percurso inventivo que dá origem à exposição constrói uma jornada visual repleta de pontes entre diferentes tempos e espacialidades relacionadas ao azulejo — elemento que se tornou central em sua pesquisa. “A artista apresenta azulejos que funcionam como painéis desenhados, retomando a tradição narrativa dos azulejos portugueses”, afirma a curadora.

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