Lígia Borba | Curitiba

Cerâmica vidrada a 1230 °C 19,5 x 21 x 20cm (Fotografia de Gilson Camargo)

A exposição propõe um mergulho na materialização de formas “impossíveis”, onde a cerâmica e a aquarela desafiam a geometria tradicional através da topologia.

A mostra Nem tudo é ficção” da artista Lígia Borba, apresenta uma investigação profunda sobre o formato do universo e as fronteiras entre o real e o imaginário. Com texto crítico de Jhon Voese, a exposição reúne séries recentes que transitam entre a precisão do desenho e a tridimensionalidade da argila, explorando o conceito de topologia, ou seja, o estudo matemático das formas que se mantêm através de deformações.

O “Caminho do Meio” entre Arte e Ciência

Partindo do pressuposto de que a ciência busca conhecer o mundo e a arte busca expandi-lo, Lígia Borba posiciona sua produção em um campo de intersecção. Suas obras não são meras representações; são argumentos visuais. A artista dá corpo a estruturas que a geometria euclidiana muitas vezes considera irreais, transformando o que seria uma “figura impossível” em presença física materializada.

Destaques da Mostra

Aquarelas de Alta Precisão: Trabalhos que exploram o jogo entre o bidimensional e o tridimensional, onde estruturas de cubos, filamentos, nós e capilares desafiam o cérebro do espectador.

Esculturas em Cerâmica: Peças que demandam o movimento do público — é preciso cercá-las e seduzi-las para compreender suas conexões. Aqui, a gravidade, os minerais e a ação do fogo consolidam o que podemos chamar de “continuidades topológicas”.

Blocos de Construção: Elementos que sugerem estruturas prediais e arquitetônicas, mas que escapam à rigidez da “geometria da terra” para alcançar uma lógica cósmica e orgânica.

Como define o crítico Jhon Voese, o trabalho de Lígia é um convite à materialização: embora pareçam ilusões, as formas à nossa frente são exatamente o que pretendem ser. A exposição é o resultado de um acordo entre a mão da artista e a vontade da matéria, oferecendo um pequeno, mas significativo passo na jornada para compreender (ou criar) o formato do universo.

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