“Romance” é a primeira individual de Leo Tavares, artista visual e escritor que pensa a palavra como imagem e a imagem como escritura. E é a partir da polissemia da palavra que dá nome a esta exposição que surge um conjunto de trabalhos em papel, madeira, metal, tecidos e alfinetes que podem ser um ou vários, que podem ser uma instalação ou fragmentos de um pensamento estético construído de forma constelar, sem hierarquias, mas ao mesmo tempo interdependentes e autônomos. Com curadoria de Marco Antônio Vieira, a mostra fica em cartaz na Referência Galeria de Arte de 18 de outubro a 16 de novembro.
“O processo de criação desta exposição se deu guiado pelo pensamento de um corpo de trabalho, isto é, a exposição pensada como obra”, diz o artista. E continua: “Cada trabalho, nesse sentido, reverbera como fragmento dentro de um corpo maior, daí o sentido de constelação em lugar de uma estrutura linear. O constelar é o aspecto fundamental da escritura não-hierárquica entre a palavra e a imagem, e promove muito mais evocações a partir de fios narrativos do que busca impor uma ordenação de leitura.”
“Nesta exposição, a um só tempo se reconhecem as sobrevivências fantasmais de uma história das relações e tensões entre palavra e imagem, incansavelmente problematizadas ao longo da história”, afirma o curador. “É um verdadeiro ‘trabalho’ das imagens e, no caso específico da poética de Leo Tavares, o ‘trabalho dos trabalhos’“. Com seus objetos que são quase oratórios, quase relicários, o artista leva para a poesia visual a textualidade e a visualidade. As micronarrativas nos fazem repensar o significado de ler texto e ler imagem”, diz Marco Antônio Vieira.
“Para além da raiz romance, distintiva das línguas oriundas do latim, o espírito do romantismo aqui se pretende evocado o tempo todo; é igualmente cara para mim uma abordagem mais coloquial do romance como affair amoroso. Nesse aspecto, os trabalhos falam de um ansiar pelo romance, pela vivência amorosa, com suas turbulências e efusões constantes”, ressalta o artista. É uma abordagem da convulsão, do frêmito, da intensidade das paixões, mas também da melancolia do arrefecimento delas, e, sobretudo, do luto das relações, do desapego dos corpos”, conclui o artista.

