Desde 2023, o Instituto Cervantes do RJ celebra, anualmente, o Dia da Consciência Negra no Brasil através do programa multidisciplinar “Espanha Afro”, já em sua terceira edição. O projeto consiste numa série de atividades relacionadas com as culturas afro tanto na Espanha como na América Latina, o seu relevante legado intelectual, cultural, artístico e social nos diferentes espaços da diáspora. Este ano, três delas serão relacionadas à memória e à preservação do legado dos mais velhos, enfocando nas pautas de como é envelhecer, sendo pessoa imigrante e negra, na Espanha. No dia 2 de dezembro, terça-feira, às 19h, o Instituto Cervantes inaugura em Botafogo “Afromayores”, mostra fotográfica assinada por Leger-Adame, que retratou protagonistas desses legados, sob curadoria de Mbomío. Trata-se de um projeto audiovisual e fotográfico autogestionado, que nasceu depois de muitas conversas. Tanto o reunionense Laurent Leger-Adame como a alcorconeira (Alcorcón-Madri) Lucía Mbomío há anos entrevistavam pessoas negras com o objetivo de balancear a narrativa mediática generalista espanhola na qual, ou não aparecem ou somente são vistos de determinada forma. Entre os retratados em destaque estão o pai da curadora, Jose, e também Batata, único carioca, residente em Madri, “afromayor/idoso” da mostra, que entrou especialmente nessa edição no Rio de Janeiro.
Sua grande meta é publicar um fotolivro no qual seus rostos, sulcados por rugas que evidenciam um longo percurso vital, possam ser vistos e aplaudidos. Todo esse material é compartilhado no perfil de Instagram e no canal de YouTube de Afromayores, e é enriquecido com as exposições e atividades que transformam o olhar sobre a velhice e a afrodescendência na Espanha. Seu lema é “Existimos Porque Existiram”.

