Laura Miranda | Instituto Tomie Ohtake

Com curadoria de Agnaldo Farias, a artista paranaense e residente em Curitiba apresenta um conjunto de sua produção que se conforma pelas práticas performáticas e por trabalhos com experimentação de linguagens e mídias. A exposição traz obras produzidas entre 2014 e 2021 pontuadas por objetos do início de sua carreira em meados da década de 1990, somando 71 trabalhos. Esta configuração cria um espaço relacional entre um pensamento artístico originário da produção, apresentado com sua potência de reverberação ao longo dos anos, e seu desdobramento nas linguagens mais recentes.

A mostra apresenta desenhos e objetos e inclui projetos colaborativos como performances e vídeo instalações com a participação das artistas Denise Bandeira no vídeo Spirare e Mônica Infante nas performances Estrela Canina e Líquens. Os trabalhos resultam de processos de exploração na fronteira relacional entre sujeito e mundo, corpo e lugar, arte e sociedade. “As obras se constroem com experimentações de matérias e superfícies, seus fragmentos e fraturas, movimentos e velocidades do gesto e do corpo presentes no fluxo da produção cênica e plástica”, afirma Farias.

A possibilidade de integrar luz e matéria, céu e terra, sendo o corpo o eixo de conexão entre estes dois extremos, apresenta-se nas séries escolhidas para esta mostra construídas na área de proteção Ambiental do Passaúna (APA), na região metropolitana de Curitiba. Este contexto de produção inspirou o título da exposição, O chão, um lago, as árvores e as estrelas, escolhido pelo curador.

“Do sopro ao mundo, a obra de Laura Miranda vale-se de um extenso elenco de materiais e processos, como os vidros soprados, as folhas de chumbo perfuradas, o chão no qual ela enterrou papéis de arroz, os tecidos tingidos, as vestes feitas de látex, a performance realizada na nascente de um rio, protegida por árvores e samambaias, a coreografia baseada nos movimentos dos cães e relacionadas com a geometria enigmático das constelações, outros trabalhos. Uma obra múltipla e misteriosa, como certos sentimentos que nos tomam sem que consigamos defini-los”, completa o curador.

Laura Miranda é graduada em Artes Visuais e pós-graduada em História da Arte do Século XX pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná em Curitiba. Também é formada em Experiência Somática, abordagem psicobiológica do trauma e praticante de Ki Aikido e Educação Somática a cerca de vinte anos. A conexão destes campos de conhecimento vem fundamentando suas investigações na construção de um pensamento sobre o corpo, traduzido nas diferentes linguagens, plásticas e performáticas.

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