Lasar Segall | Museu Lasar Segall

Museu Lasar Segall - Foto de Nilton Fukuda

“O Paisagismo Modernista na Produção Artística de Lasar Segall”, nova exposição do Museu Lasar Segall, na Vila Mariana, convida o público a redescobrir a obra de um dos ícones do modernismo a partir de seu olhar para a natureza brasileira e para diferentes paisagens que tocaram sua sensível capacidade criativa.

Dois recortes curatoriais se entrelaçam. O módulo “Planta e plantação: culturas bananeiras em Segall”, com curadoria de Ana Carolina Carmona Ribeiro, autora do livro “Pequeno guia da botânica modernista” (2020), propõe uma leitura das bananeiras como elemento estruturante de uma ideia de país. Entre 1924 e 1925, ao escolher a bananeira como tema em meio à vasta diversidade da vegetação brasileira, Segall (1889–1957) parte da premissa de que ela representa um signo consolidado do Brasil enquanto país tropical.

Rejeita, no entanto, o senso comum, ao representar nas bananeiras aquilo que considera “essencial” e “interiormente verdadeiro”, em contraste com o que seria apenas “interessante” ou “belo no sentido vulgar”. Volta-se não apenas aos frutos, mas às várias partes da planta e às relações entre elas. E vai além, ao desdobrar o interesse pela planta em desenhos de plantações, nos quais a paisagem dos bananais ganha uma riqueza formal cada vez maior, ao mesmo tempo em que aspectos da história, da sociedade e do trabalho se insinuam. Não por acaso, os conceitos de “paisagem humana” e “natureza humana” são utilizados com frequência para interpretar suas obras desse período.

O módulo “Lasar Segall: outras paisagens no horizonte”, com curadoria de Pierina Camargo, pesquisadora do Museu Lasar Segall, apresenta uma cartografia expandida que fala de identidades em fluxo e da experiência humana em seus deslocamentos e pertencimentos. As paisagens sóbrias e angulosas do tempo de Segall na Europa são sucedidas pela expansão da cor e da luz a partir de seu contato com o Brasil; os tons serenos que desenvolve mais tarde, ao fixar dramas sociais e a placidez bucólica do interior, se condensam nas verticais de troncos em suas florestas.

Segall reinventou-se continuamente, ao longo de sua trajetória, desenvolvendo novas maneiras de manifestar suas imagens interiores nas paisagens e compondo um conjunto que testemunha uma incessante busca.

A exposição conta com apoio do Governo Federal, Política Nacional Aldir Blanc, Governo do Estado de São Paulo, Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e Fomento CultSP.

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