LANÇAMENTO E BATE-PAPO NA CASA DAROS

O Instituto MESA, dedicado a pesquisas, projetos e publicações transdisciplinares que realizam e aprofundam os encontros entre arte, cultura e sociedade, lança, no dia 16 de maio, sábado, às 16h, na Casa Daros, a terceira e a quarta edições digitais da Revista MESA, com os temas O Sentido de Público na Arte e O Passado como Pensamento Forma: Práticas Híbridas/Zonas Limites, respectivamente. Destaca-se nestas edições um ecossistema de vozes e escritas, palavras e imagens revisitando a história e convocando práticas e políticas para uma alternativa global e novos sentidos de público. As quatro edições digitais, incluindo duas versões impressas, foram contempladas por recursos do Prêmio Procultura de Estímulo às Artes Visuais 2010 (Funarte/MinC).

Na ocasião do lançamento, com apoio cultural da Casa Daros, haverá um bate-papo com os editores Jessica Gogan e Luiz Guilherme Vergara e os contribuidores: pesquisadores e críticos, Barbara Szaniecki e Rodrigo Nunes; o editor-chefe da editora Azougue, Sergio Cohn; e a diretora do Instituto Rubens Gerchman, Clara Gerchman.

Na terceira edição O Sentido de Público na Arte, Peter Pál Pelbart abre as reflexões associando o ser humano contemporâneo com a aranha. Daí cruzam-se corpos da política de contracafetinagem de Rodrigo Nunes à reconfiguração de público de Danilo Streck, que transbordam para as corporizações moventes e comoventes do filme do coletivo ¡NoPasaran! sobre as manifestações de 2013. A revista é vivência, como se fosse um jantar ampliado no tempo com várias entradas, encontros, conversas, descobertas e histórias de vida. Forma-se entre linhas e páginas uma teia vital de práticas e conceitos para os sentidos de público na arte.

Esta edição se torna um volume especial pelos três estudos de casos nacionais com ensaios, vídeos e depoimentos realizados a partir do projeto itinerante O Sentido do Público na Arte, que foi possível graças à 10ª edição do Prêmio Redes de Encontros nas Artes Visuais da Funarte. Três regiões distintas do Brasil, ou ecossistemas culturais, são representadas pelos encontros do projeto no Rio de Janeiro, Porto Alegre e Juazeiro do Norte, Cariri. “Tornam-se visíveis e audíveis as diferenças de imaginários, indissociáveis das singularidades geopoéticas. Não haveria como tratar do sentido de público na arte sem o sentir encarnado da diversidade da cultura brasileira contemporânea”, explica o editor Guilherme Vergara. Essa trama de aprofundamentos se tornou transcultural, ampliando as fronteiras nacionais com estudos internacionais. São quatro pontos cardeais de distâncias continentais e proximidades éticas que se unem nesta terceira edição. Da adversidade e resistência poética são tecidos os fios do sertão do Ceará a Porto Alegre, de Johannesburgo, na África do Sul, a Glasgow, na Escócia.

Na quarta edição, O Passado Como Pensamento Forma, a vitalidade dos casos históricos e seus desdobramentos contemporâneos são explorados. A edição compõe dois estudos nacionais: um curso para jovens artistas na Casa Daros – inspirado no legado experimental do Parque Lage na época em que o artista Rubens Gerchman foi diretor (1975 – 1979) – e o Núcleo Experimental de Educação e Arte do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e sua relação com a história das práticas experimentais em arte e educação neste museu.Também está incluído nesta edição um artigo de Sergio Cohn, explorando a história das universidades livres no Brasil e seu legado no contexto contemporâneo. Como estudos de casos internacionais podem ser destacados: a historia e contexto atual do Museu da Solidariedade, no Chile, que o critico Mario Pedrosa ajudou conceituar, nos anos 70, no período de seu exilo do Brasil e “A Proximity of Consciousness: Art and Social Action”, projeto das curadoras americanas Mary Jane Jacob e Kate Zeller, inspirado nos educadores e ativistas John Dewey e Jane Addams, em Chicago, no início do século XX.

Também fazem parte desta quarta edição da Revista Mesa uma vídeo-entrevista sobre o projeto O model: um modelo para uma sociedade qualitativa, que transformou o Moderna Museet, de Estocolmo, em um playground em 1968, e um ensaio fotográfico da artista argentina Graciela Carnevale sobre o projeto Tucman Arde e o ciclo experimental em Buenos Aires e Rosário, Argentina, em 1968.

Com uma circulação nacional e internacional, a Revista MESA busca um diálogo entre as práticas críticas e criativas em seus distintos contextos, formatos e situações. Trata-se de um periódico bilíngue (português e inglês), que nasceu com uma personalidade própria e singular no campo editorial da arte contemporânea. A revista tem o objetivo de tornar visível a complexidade das interações públicas da produção artística contemporânea com a sociedade e explorar as mudanças éticas e estéticas que embasam as práticas sociais, atravessando os campos de arte, curadoria e educação. Pretende, ainda, apresentar as reflexões críticas sobre arte e sociedade, baseando-se em experiências dos profissionais atuantes neste campo complexo – artistas, curadores, educadores, pesquisadores e ativistas –, bem como apresentar e desenvolver pesquisas a partir de uma ampla gama de disciplinas – história da arte, estudos latino-americanos, museologia, educação, antropologia, sociologia, geografia e filosofia.

Jessica Gogan (curadora, educadora independente e Diretora do Instituto MESA) e Luiz Guilherme Vergara (Curador – Diretor do MAC de Niterói e professor do departamento de arte da Universidade Federal Fluminense no Rio de Janeiro) integram perspectivas profissionais diversas reunindo situações e contextos da arte contemporânea com experiências nacionais e internacionais. Destaca a editora Jessica Gogan: “Estas edições oferecem uma contribuição rica para pensar novas relações e práticas de arte, curadoria e educação no contexto desafiador contemporâneo.”

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