Lançamento do livro Maria Klabin | Nara Roesler São Paulo

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No dia 11 de fevereiro de 2026, às 19h, em meio à exposição “Língua d’água”, na Nara Roesler São Paulo, será lançado o livro “Maria K.”, o primeiro dedicado à obra da artista Maria Klabin (1978, Rio de Janeiro). Com 256 páginas, capa dura, formato de 17,5 x 24,5 cm, bilíngue (port/ing), a publicação editada por Nara Roesler Books tem apresentação de Luis Pérez-Oramas e textos de Pryscila Gomes e Pollyanna Quintella.  Na ocasião, a artista conversará sobre seu trabalho com Pollyanna Quintella. “Língua d’água”, que reúne pinturas e desenhos inéditos de Maria Klabin, fica em cartaz até 28 de fevereiro de 2026.

Luis Pérez-Oramas – diretor artístico de Nara Roesler, poeta, historiador da arte, curador-chefe da 30ª Bienal de São Paulo (2012) – destaca em seu texto de apresentação uma característica marcante na obra de Maria Klabin: “Olhar o corpo que dorme, assim como olhar o resíduo de legumes e alimentos — o hermetismo das frutas — é como olhar para a pintura que nos olha:isto é, olhar aquilo que nos espera, aquilo que supõe nossa existência, mesmo que nós ignore. Olhar o que nos olha potencialmente, mesmo a partir de seus restos”.

Pollyana Quintella assinala em seu texto que “há mais de trinta anos Maria escolhe seus motivos entre o que é mais íntimo, mais repetido, mais disponível e, por isso mesmo,mais carregado de silêncio”. “A fruta cortada, o corpo adormecido, a paisagem rememorada, todos os seus pretextos plásticos tratam de um visível muito próximo a nós, mas de difícil apreensão. Sua obra não quer explicar os dias, prefere escutar o mundo pelas bordas, como quem recolhe fragmentos de uma história que talvez nunca tenha sido contada, mas insiste em se mostrar. E, se estamos no terreno da figuração, também não há narrativa clássica ou metáfora, o que há é certa produção de presença.Para tanto, a obra estrutura-se, sobretudo, no interesse pelo gesto. A pintura não nasce como tradução do mundo exterior, mas como um corpo a corpo com a própria superfície, não abrindo mão de exibir seu próprio método, o modo pelo qual se torna o que é, indo e vindo no trânsito entre constituir e desconstituir as formas visíveis”.

Pryscila Gomes chama a atenção, em seu ensaio, sobre o conceito de “infraordinário”, que vê na obra de Maria Klabin. Ela explica menciona o poeta, ensaísta e cineasta francês Georges Perec (1936-1982) que cunhou o termo infraordinário.“O escritor francês questiona a lógica cultural que só reconhece a existência da vida quando ela é atravessada por rupturas: desastres, escândalos,acidentes. ‘Os jornais falam de tudo, exceto do corriqueiro’, escreve. Mas é justamente no corriqueiro — nesse plano de fundo que sustenta a experiência — que se decide a matéria do vivido.Perec chama essa zona de “infraordinário”: o que escapa à narrativa e o que se repete até perder a nitidez”. “A série de pequenas pinturas de Maria Klabin, iniciada nos anos 2020,parece explorar esse recurso até o ponto de tensioná-lo. Em muitas delas, gestos distintos convivem: o cuidado com o fragmento, o apuro da representação de cada fruto, arranjo ou leguminosa contrasta com a decisão de tratar o fundo como um campo puramente cromático — espaço de pinceladas rápidas, quase líquidas, onde a matéria se esvai”, comenta a curadora e pesquisadora.

“Maria K.” (Nara Roesler Books, 2026)

Organização: Luiz Vieira

Fotos: Erika Mayumi, Flávio Freire, Giovanna Lanna, Mário Grisolli

Edição de imagens: Gabriela Castro Luiz Vieira

Projeto gráfico: Bloco Gráfico

Assistente de design: Lívia Takemura

Versão em inglês: Adriana Francisco

Revisão: Érico Melo e Rafaela Biff Cera

Tratamento de imagem e impressão: Ipsis

256 páginas, capa dura, formato 17,5 x 24,5 cm, bilíngue (port/ing)

Preço: R$160

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