Kilian Glasner | Galeria Lume

De longe, parece foto. De perto, também. Mas a verdade é que a ilusão gerada pelas criações de Kilian Glasner deixa a mente a milhão, em desenhos que parecem registrar o real. Na mostra “Natureza Incontornável”, que a Galeria Lume recebe, o artista expõe 15 de seus trabalhos, concebidos depois de um retiro de quatro meses na região da Chapada Diamantina, na Bahia.
Sempre em busca pela conexão com o entorno, Kilian, que é conhecido por suas paisagens urbanas, dessa vez foi atrás da natureza. “Eu queria um lugar para me isolar do caos da cidade e também pesquisar a fundo a relação do ser humano com o meio ambiente. Em tempos em que tudo é mediado pela tecnologia, temos esse elo com o natural rompido. No entanto, chega uma hora que é preciso encarar a natureza de frente”, explica ele, justificando, inclusive, o nome da mostra.
A escolha do lugar se deu de forma também natural. Fã do Parque Nacional, o pintor partiu para seu refúgio pela sexta vez, e sem data para voltar. Após meses de imersão total no ambiente, processo que envolveu dias a fio acampando sem um celular sequer por perto, ele voltou para seu ateliê no Recife com a cabeça cheia de ideias e, na mala, uma infinidade de registros fotográficos – base, de fato, para os seus desenhos.
A exposição, que tem curadoria de Paulo Kassab Jr., traz não um cartão postal do destino, mas sim, os contornos e as cores do que viu por lá. Em “Distorções Psicodélicas”, por exemplo, o avermelhado intenso é reflexo da cor dos rios da Chapada, repletos de ácido húmico – resultado da decomposição de matéria orgânica vegetal na região.
Além dos desenhos, Kilian expõe um vídeo que reúne fragmentos de suas incursões. A ideia é que sua obra possa ser exibida em devices como smartphones e tablets para que mais pessoas tenham acesso ao seu trabalho. “Não dá para fugir completamente da tecnologia, mas quem sabe não consigo levar um pouco de natureza a São Paulo?”, brinca.

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