Kilian Glasner | CCBB São Paulo

A Dança dos Átomos, 2021, Kilian Glasner | FOTO: Kilian Glasner

O CCBB em São Paulo apresenta a partir do dia 16 de outubro a mostra individual Macrocosmos, microcosmos ou, a cosmogonia dos incêndios, do artista plástico recifense Kilian Glasner. Com curadoria de Paulo Kassab, a exposição reúne um conjunto de 29 trabalhos, entre desenhos, instalação audiovisual e esculturas de bronze, criadas após a contemplação dos cosmos durante viagem ao Atacama e a partir de um trágico evento: um incêndio que consumiu seu ateliê e as obras que seriam originalmente expostas nesta mostra.

Nos desenhos é possível observar a via láctea, nebulosas, supernovas e outros corpos celestes. Neles, foram utilizados giz pastel, cola, pó e carvão colhidos nos escombros do incêndio de seu espaço de criação. “As representações surgiram depois de uma viagem para o deserto do Atacama, onde visitei observatórios e contemplei o céu de uma forma mais ampla. Mais tarde, durante a noite do incêndio, quando tudo estava ainda em chamas, eu fui até a praia e me deitei na areia para olhar o céu. A imagem me confortou e resolvi usar o carvão que restou para produzir as obras”, conta o artista.

Após utilizar destroços e ruínas como assuntos centrais da série Rua do Futuro (2009) e explorar as diferentes plasticidades do fogo em Anatomia do Fogo (2014), Kilian transforma o espaço do CCBB em seu ato final. Na mostra, ele estabelece uma conexão entre os móveis e objetos transformados em cinzas com a própria característica cíclica dos cosmos. “Trata-se de reconstruir e expressão artística a partir dos elementos produzidos pelo fogo”, comenta Glasner.

Kilian reforça que os trabalhos contam, por meio da história dos desenhos e suas potências subversivas e criadoras, as próprias ligações do artista com o fogo, iniciada nas exposições já citadas e em O brilhante futuro da Cana-de-Açúcar, de 2010.

Segundo o curador da exposição, Paulo Kassab: “Macrocosmos, microcosmos ou, a cosmogonia dos Incêndios marca a volta de Kilian Glasner às séries anteriores em um ato que inverte o sentido das criações precedentes. Agora a ruína não mais é a representação, ela salta do papel para presença, testemunha o que foi consumido e aponta, ao mesmo tempo, para aquilo que pode emergir, o sonho”.

Um vídeo de 12 minutos no qual o artista caminha sobre os escombros do que restou de seu ateliê na Ilha de Itamaracá, revela sua relação simbólica com o antigo espaço e evoca a ambiguidade dos incêndios, que apesar de devastadores, carregam a força de novas criações.

Horses and Stars, 2021, Kilian Glasner | FOTO: Kilian Glasner

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