Kazuo Wakabayashi | Sociarte

A Sociarte recebe “Wakabayashi – Xogum de todas as cores e texturas”, mostra que celebra o trabalho de Kazuo Wakabayashi, pintor nipo-brasileiro considerado um dos expoentes da arte não-figurativa nacional. A exposição reúne cerca de 25 obras da produção mais recente do artista, entre pinturas e gravuras realizadas ao longo dos últimos dois anos.
Wakabayashi é autor de uma obra abstrata, marcada pela incessante experimentação e pesquisa de técnicas, cores e materiais. Suas telas e gravuras apresentam elementos figurativos orientais, que se misturam com o cromatismo exuberante brasileiro. O artista trabalha com contornos rigorosos e cores intensas, às vezes, experimentando multiplicar as formas ao mesmo tempo em que as destaca entre as demais.
“O Brasil é um paraíso para a arte e sua fluidez. Aqui eu pude ser livre e dar vazão aos meus sentimentos por meio da pintura”, afirma o artista, referindo-se a todo o tradicionalismo milenar da cultura japonesa – algo que, em suas palavras, “aprisiona a criatividade de um artista”.
Quando chegou ao Brasil, em 1961, aos 30 anos de idade, Wakabayashi já se apresentava como um artista maduro – fruto de um rigoroso aprendizado a que fora submetido enquanto jovem. O pintor trazia nas malas o peso da Guerra – quando adolescente, encarou de frente suas desgraças quando Kobe, sua cidade natal, foi bombardeada.
No início de sua carreira, tais memórias sempre estiveram muito presentes em seus trabalhos. Ainda que abstratas, suas pinturas eram carregadas de uma dramaticidade densa, escura e pesada – uma sombra dos inúmeros conflitos a que presenciou. Com o passar do tempo, suas obras foram adquirindo, pouco a pouco, cores e mais cores, tornando-se mais leves, quase sublimes.
Hoje, aos 86 anos de idade, Wakabayashi ainda trabalha de domingo a domingo, dedicando grande parte de seus dias a seu ateliê – instalado aos fundos de sua casa, no Jabaquara, zona sul da capital paulista. Não raro, sua mulher, a também artista Hikari Wakabayashi, tem de resgatá-lo para que ele descanse. Para cada uma das telas que se propõe a criar, o artista gasta de dois a seis meses na sua elaboração. São texturas e mais texturas cobertas por tintas e, muitas vezes, por folhas de ouro, inclusive. “Meu sonho é morrer no ateliê, mas meu coração não tem colaborado – ele é muito forte”, brinca o artista, explicitando sua íntima conexão com a arte do qual é discípulo.
Lançamento:
Durante a exposição de Wakabayashi na Sociarte, a estudiosa Maria Fusako Tomimatsu lança “Kazuo Wakabayashi – Um artista imigrante”, livro da editora Porto de Ideias. Fruto de sua tese de doutorado, a publicação apresenta uma análise acurada do pintor japonês radicado no Brasil, mergulhando em uma dimensão biográfica inovadora. A escritora realiza um estudo a partir de bases teóricas, contribuindo para o comparativismo contemporâneo no que diz respeito às relações entre literatura e outras artes.

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