Katia Wille | Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo

Katia Wille investiga conexões entre a natureza-morta, o corpo feminino e a memória em exposição no Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo, sob curadoria de Fernanda Terra

A ideia de suspensão encontra uma tensão particular na pesquisa elaborada pela artista Katia Wille sobre a flor como corpo e matéria. Partindo dessa investigação que permeia sua trajetória desde 2013, foram selecionadas pela curadora, Fernanda Terra, cerca de 20 pinturas em acrílica sobre tela produzidas recentemente e que serão apresentadas na individual À Carne da Flor, que inaugura dia 17 de outubro, sábado, às 15h. Completam o conjunto exposto objetos em matelassê e cadernos de desenho e pesquisa da artista.

“A flor é uma revelação, a aparição de um corpo no mundo. Um corpo que, antes de brotar, germina na latência”, diz Katia Wille.

A natureza-morta aparece como um lugar em que aquilo que parece imóvel guarda uma vida em processo, entre germinação, crescimento e transformação. Os vasos ocupam um lugar importante nesse universo. Eles aparecem como estruturas que acolhem, organizam e contêm as flores, mas também como formas que podem se romper.

“Existe uma tentativa desse corpo de sair da forma que o abriga, porque ela já o oprime. A louça se parte, o vaso racha e seus fragmentos passam a integrar a própria composição das obras. A ruptura também aparece na madeira, nos dípticos e nos mosaicos, fazendo da fragmentação uma parte constitutiva das imagens”, afirma Fernanda Terra.

A relação entre corpo feminino, forma e contenção, pontos fundamentais nessa mostra, encontra uma camada histórica particular no próprio espaço onde será apresentada, o Centro Cultural Municipal Laurinda Santos Lobo, em Santa Teresa. O lugar leva o nome de uma mulher que desempenhou um importante papel na vida cultural do Rio de Janeiro e na circulação de artistas e intelectuais em seu tempo. A presença de Laurinda estabelece uma conexão direta com um dos temas que atravessam a exposição: a experiência das mulheres em diferentes momentos históricos e as formas pelas quais suas vozes, corpos e produções encontram espaço de existência e reconhecimento.

Partindo dessa conexão com o universo feminino, estão programados encontros na varanda do Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, reunindo mulheres atuantes em diversas áreas para conversar sobre suas práticas e experiências. A programação amplia a reflexão da exposição, criando um espaço de encontro entre diferentes gerações de artistas e entre a memória de Laurinda e a produção contemporânea de mulheres.

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