Julia Benetton | Casagaleria e oficina de arte Loly Demercian

Para falar sobre a artista visual Julia Benetton é necessário retroceder-se um pouco para suas primeiras pesquisas, anteriores à pandemia. Suas pesquisas na primeira olhada revelaram-se como trabalhos eróticos, sensuais e gestos rápidos. Com agilidade expressionista, descortina uma intimidade com os pinceis e desenhos. As cores escolhidas, a saber: os vermelhos, verdes, cores puras, foram muito usadas pelos artistas expressionistas alemães , especialmente Egon Schiele, com estilo mais agressivo e trágico. Julia se aprofundou neste último artista, estudando os matizes, tons vermelhos , laranjas e o sofrimento aliado à sexualidade. O artista brasileiro que mais se aproximou dessa estética foi Flavio de Carvalho, que, em obras inéditas das gravuras e desenhos, retratou o corpo feminino com traços fortes e marcantes.

Os trabalhos com nus femininos de Julia, com suas linhas e cores fortes, sugerem, paradoxalmente, que a nudez já não importa tanto, mas sim o que está dentro da pele, o que reveste o corpo. O que o corpo suporta.

Com a pandemia, Julia fixou sua morada no litoral norte de São Paulo, lá pode refletir um pouco sobre sua estética, o modo como pintava e desenhava. Sua vida se tornou mais leve; o mar e a vegetação foram sua inspiração para viver o presente. A verdade é que o isolamento imposto pela pandemia forçou pessoas a se confrontarem consigo mesmas. Nesse processo, muita gente repensou suas rotinas e deu viradas bruscas de emprego, endereço ou relacionamento.

A sua própria atividade cultural e artística diversificou-se e novos temas, impensáveis no passado, passaram a interessá-la como motivos para seus novos trabalhos e as suas pinturas. À semelhança do que ocorreu com Jean- Baptiste Debret (1768-1824) que em sua longa permanência no Brasil, colocou-se com uma realidade totalmente diversa, pitoresca, deixou o neoclassicismo e foi atraído pelo colorido dos produtos naturais encontrados em nosso País, pintando laranjas, bananas, abacaxis, mangas, e outras frutas exóticas, numa composição original, além, dos assuntos indígenas e paisagens.

Julia liberou sua imaginação nas pinturas de paisagens do Litoral Norte de São Paulo (São Sebastião), registrando seu cotidiano, como as ondas do mar, a exuberância da floresta, as plantas litorâneas, rios, riachos, imortaliza na pintura. Esses trabalhos estão em “Vagator Beach (2020); “Entrelaço das folhas” (2021); “Palma tranquila” (2020); “Calma Tormenta” (2022); “Guaimbê” (2019); “Saudação ao sol” (2021) e ‘Abacaxi” (2018), dentre outros.

Nesse momento de tranquilidade, Julia descortinou outras frentes, como a atividade de muralista e decoração de ambientes, trazendo diversidade nas criações e uma poética personalizada para cada projeto. Contaremos com uma pintura na parede da galeria, mostrando sua versatilidade de produção.

Compartilhar: