JOYCE CHWARTZMANN | GRAVURA GALERIA DE ARTE

A artista visual Joyce Chwartzmann apresenta a exposição Organismos gráficos, com curadoria de Ana Zavadil, na sala Negra da Gravura Galeria de Arte, em Porto Alegre.

Dedicada às artes visuais já há alguns anos, Joyce se formou em Arquitetura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e em Urbanismo pela Université de Vincennes, em Paris. Tem paixão por arte abstrata e joalheria e diz não ter medo de pesquisar, testar, procurar, “deixar o propósito e a liberdade andarem juntos”.

A curadora da mostra escreve que “a produção artística contemporânea tem demonstrado, com frequência crescente um desejo de retornar à superfície do papel como território privilegiado de inscrição. Não apenas como suporte, mas como campo de pensamento”.

Ela acrescenta que Joyce, em seu trabalho, realizado predominantemente sobre papel, reúne aquarelas, monotipias, pintura e procedimentos híbridos como colagem, interferências gráficas e sobreposições. “Há uma insistência na linha, na repetição de pequenos signos, na presença de grafismos que lembram códigos, fragmentos de escrita, mapas, circuitos ou plantas arquitetônicas. Contudo, não se trata de uma geometria rígida ou de uma abstração formalista no sentido clássico: sua geometria é sensível, atravessada por acidentes, transparências e borramentos. A estrutura convive com a instabilidade. A ordem convive com o ruído”, observa Zavadil.

Conforme ela, a artista trabalha no domínio do fragmento e do detalhe. “Seu universo é microscópico: a monumentalidade acontece na pequena escala. Isso faz com que o espectador seja convidado a aproximar-se, a ler a superfície como quem lê um documento antigo ou um manuscrito incompleto. A contemplação surge do ato de investigar. A cor, então, não é apenas sensação: é espaço. Um espaço atmosférico, uma espécie de campo onde os signos repousam ou flutuam”.

A curadora ressalta  que, “ao final, permanece a sensação de que as obras não são apenas composições abstratas, mas organismos gráficos: ecossistemas de signos, onde cada ponto, cada linha e cada mancha parecem conter fragmentos de narrativa. Narrativas que não se contam em palavras, mas em ritmos visuais. Como mapas sem legenda, eles não nos dizem onde estamos — mas nos lembram que estar perdido pode ser, também, uma forma de descoberta”.

 

 

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