José Resende | Fundação Iberê

Mirante Olhos Atentos, José Resende | FOTO: Nilton Santolin

Inaugurado em 2006, o mirante Olhos Atentos ocupa um dos espaços mais visitados da Capital e, agora, renovará a sua relação com o público que frequenta o principal cartão postal de Porto Alegre, a Orla do Guaíba. A GAM3 Parks, concessionária que administra o Trecho 1 da Orla e o Parque Harmonia, fará a revitalização da obra. O artista José Resende, que idealizou a intervenção, e o curador Paulo Duarte estarão presentes na entrega à população no dia 13 de novembro, sábado, às 11h.

“Estamos muito felizes em fazer parte deste momento, de devolver uma obra tão importante à população. Não era uma obrigação da concessionária, mas entendemos a necessidade e a importância da criação feita por José Resende, da integração de Porto Alegre com a água”, destaca Carla Deboni, diretora administrativa da GAM3 Parks.

Em 2005, José Resende foi um dos artistas convidados pela 5ª Bienal do Mercosul para produzir obras permanentes para a cidade. Segundo o curador-geral na época, Paulo Duarte, “as intervenções foram pensadas como obras de arte para serem usadas pelo público, para que ele passeasse sobre elas, olhasse a paisagem a partir delas ou simplesmente descansasse sobre elas.”

Fechado desde 2019 para evitar acidentes, devido ao controle de acesso (limite de 20 pessoas) que não era respeitado, o mirante começará a ser revitalizado na primeira semana de novembro. Todo o processo foi autorizado pela Prefeitura de Porto Alegre, por meio da Secretaria Municipal de Cultura – SMC.

“A SMC tem feito um grande esforço para revitalizar e restaurar monumentos. Olhos Atentos está entre as peças de arte contemporâneas em área pública mais célebres da cidade, tendo atraído grande interesse da população, justamente por lançar a questão da integração da cidade com o lago, o que agora começa a se tornar uma realidade muito concreta com a nova orla. Não faria sentido inaugurarmos o novo complexo e deixarmos essa escultura tão importante para trás. Além disso, a reativação da obra dialoga com a importante exposição que a Fundação Iberê promove sobre o artista”, ressalta o secretário Gunter Axt.

Para garantir a segurança do público visitante, a GAM3 instalará guarda corpos para limitar o número máximo de pessoas que podem ficar no espaço e câmeras, como explica Alan Furlan, diretor operacional da GAM3 Parks: “Ao atingir 20 pessoas, um terá que sair para a entrada da próxima e assim sucessivamente. Além disso, a nossa equipe técnica está trabalhando para instalar câmeras de segurança no local para evitar novas depreciações, além de um totem informativo com limite de pessoas, história da obra e do artista”.

FOTO: Ding Musa

NA MEMBRANA DO MUNDO

Ainda no dia 13, às 14h, a Fundação Iberê abre a nona e última exposição de 2021, Na membrana do mundo. Com curadoria de Luisa Duarte, Porto Alegre recebe, pela primeira vez, um conjunto significativo de obras – produzidas entre 1974 e 2018 – que marcam a trajetória de José Resende.

Em mais de 50 anos dedicados às artes plásticas, uma das principais características de Resende é a apropriação de materiais comuns e a sua ressignificação em instalações com uma forte densidade poética e grande potência visual. Ao todo, serão apresentadas 18 esculturas de grandes dimensões, misturando, por exemplo, parafina, feltro, aço, ferro, chumbo, latão, cobre, madeira, pedra e borracha, que têm ao mesmo tempo o desafio de fazer um trabalho com humor, tensão, oposições de sentido e movimento latente.

“Os materiais encontrados nas obras são aqueles que habitam de forma anônima o dia a dia dos espaços urbanos. Aqui, estão sempre em contato um com o outro, instaurando uma cadeia de vizinhanças fecundas: quente/frio, líquido/sólido, rígido/mole, opaco/transparente, liso/áspero. Articulados, formam esculturas que possuem uma natureza construtiva capaz de endereçar perguntas para o olhar. Se na vida diária as nossas retinas são inundadas por imagens que parecem aportar mais certezas do que dúvidas, com cada trabalho de Resende ocorre o inverso. Diante deles uma espécie de desconcerto nos atravessa e somos interrogados por aquela forma que não encontra paralelo no mundo, pois fruto de um ato poético que inaugura um imaginário singular a partir do que se encontrava até então adormecido no prosaico cotidiano”, destaca Luisa, filha de Paulo Duarte, que tem entre seus trabalhos as exposições “Adriana Varejão – Por uma Retórica Canibal”, no Museu de Arte Moderna da Bahia, e “Tunga – o rigor da distração”, a primeira grande mostra no Museu de Arte do Rio após a morte do artista, em 2016, além do livro ABC – Arte Brasileira Contemporânea, organizado com Adriano Pedrosa.

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