José Antônio da Silva | galeria Estação

A galeria Estação abre dia 13 de novembro (quinta-feira) a exposição “Eu sou o Silva”, com curadoria de Paulo Pasta, festejando o artista José Antônio da Silva num momento de grande destaque das suas obras, que tiveram a primeira mostra monográfica europeia no Museu de Grenoble, na França, de abril a julho, como parte da Temporada Brasil-França 2025. Em São Paulo, “o Silva”, como era conhecido, também estará numa grande mostra no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), a partir de 15 de novembro (sábado), com 142 obras, parte delas apresentada em Grenoble, além de outras 15 pinturas e desenhos (exibidos em partes) do livro do artista: “Romance da minha vida”.

A exposição “Eu sou o Silva” – a segunda do artista organizada pela galeria Estação – reúne 26 obras das décadas de 1940 a 1980, que pertencem ao acervo próprio e às coleções de Andre Mastrobuono, Breno Krasilchik, Gustavo Rebello, Ladi Biezus, Marcelo Noschese, Mauricio Buck e Orandi Momesso. Para Vilma Eid, fundadora da galeria Estação, é um momento de celebrar o artista nessa itinerância iniciada em março, na França, passando depois, por Porto Alegre, com a exposição José Antônio da Silva: Pintar o Brasil, que teve curadoria do espanhol Gabriel Pérez-Barreiro, na Fundação Iberê Camargo, em agosto. Essa visibilidade é trazida também a São Paulo, onde a galeria abre as portas para mais uma oportunidade de contemplar obras icônicas, algumas inéditas, da carreira do Silva, um dos principais artistas brasileiros do século 20.

Nascido no interior paulista, no sítio Monte Alegre, pertencente ao município de Sales de Oliveira, José Antônio da Silva começou a pintar em 1940. Suas primeiras obras foram em cenário agrícola, onde convivia com a família. Ele reproduziu com maestria as culturas de algodão, as queimadas, a casa de pau-a-pique, a boiada, e o lazer na roça. “A própria natureza já é um artista”, declarava o Silva.

Escultor, escritor, músico, e de elevadíssima autoestima, Silva se valorizava como criador da sua arte e ainda mais pela sua vida, sua brasilidade. “Eu sou o Silva” era uma frase repetida constantemente pelo artista, conforme conta o curador Paulo Pasta, numa demonstração de afirmação do seu lugar no mundo, repetindo seu sobrenome, o mais comum e popular dentre os sobrenomes brasileiros.

Daí, a escolha da denominação da mostra, segundo o curador, que relembra frases do artista extraídas do documentário Quem não conhece o Silva, realizado por Carlos Augusto Calil, em 1979. “Quem não conhece o Silva? O Silva sou eu!”; “Silva é a vida rural”; “A natureza é meu Deus e eu sou o Silva!”.

Paulo Pasta destaca que esta exposição não tem a pretensão de abranger a totalidade dos temas e conteúdos do trabalho do pintor. “Mas tem a ambição de mostrar a todos alguns aspectos importantes da sua produção, sem privilegiar datas ou períodos, por meio de pinturas caprichosamente escolhidas. E que elas possam atestar a grandiosidade do trabalho, reativando nossa experiência de pertencimento, lembrando que sofisticação, qualidade e origem popular, podem – e devem – coexistir na história da arte”.
 

José Antônio da Silva: Pintar o Brasil

A exposição no Museu de Arte Contemporânea (MAC) é mais uma etapa da itinerância da mostra iniciada em Grenoble, na França, sob a curadoria de Gabriel Pérez-Barreiro, e que passou também pela Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre-RS, no período de agosto a novembro. Em São Paulo, além das obras selecionadas nas duas mostras anteriores, serão exibidas outras, selecionada em conjunto com Fernanda Pitta.

A mostra José Antônio da Silva: Pintar o Brasil faz parte da programação da Temporada Brasil-França 2025, realizada com patrocínio da Petrobras e do Banco do Brasil, e apoio do Ministério da Cultura por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet. Dentre as 142 obras expostas, estão dezenas que figuram entre as mais destacadas da produção do artista, oriundas dos acervos de Ciccillo Matarazzo e do poeta, colecionador e crítico de arte Theon Spanudis. Há peças de outros acervos diversos, tanto de colecionadores como de coleções públicas.

Compartilhar: