Johanna Calle | Galeria Marilia Razuk

O Anexo Galeria Marilia Razuk apresenta Longitudes da colombiana Johanna Calle, uma individual que seguirá em cartaz até 12 de dezembro. Acerca do título da exposição, “longitude remete tanto a um termo geográfico quanto a um cartográfico e envolve um sistema de medição que utiliza graus ou minutos, respectivamente, para determinar uma localização”, conta a artista. Entre muitos outros, os sistemas empregados para medições geográficas variam de varas, pés, milhas, milhas náuticas e léguas até passos ou quilômetros. A capacidade de localizar e delimitar uma área tornou possível definir territórios, fronteiras, países, cidades e propriedades privadas. Em última análise, o conceito de longitudes — enquanto projeto de pesquisa estética — aborda a necessidade urgente de saber onde estamos situados ou localizados.

“Antes de o sistema métrico ser adotado na Europa Central, em 1872, as distâncias eram medidas em Schritte (passos) e Klafter (braças)”, explica Johanna. A confluência dos métodos de medições deu origem à essa mostra em que a artista traz dezenas de obras que compõem três conjuntos criados entre 2024 e 2026 São eles: Enclaves (2024–2026), Grafías (2025) e Bratislava (2026). Neste último, os desenhos são executados com tinta sobre papel milimetrado da década de 1970. Segundo Johanna, “o papel foi adquirido na cidade outrora conhecida como Prešporok — um lugar onde as denominações históricas Pressburg e Pozsony permanecem oficialmente reconhecidas até hoje. Nomes, fronteiras e a ideologia das pessoas mudaram, mas o ato de medir, não.”

Na série Enclaves, composta por obras em técnica mista sobre mapas antigos e de época, a artista aborda o conceito de um território cercado por outro que difere em termos de governança, legislação, ideologia, idioma ou religião. Enquanto representação visual e verbal de um território, o mapa é um desenho fragmentado e inacabado. Lugares mudam de nome ou de autoridade administrativa, e as fronteiras são linhas traçadas por fatores históricos. Certos sistemas de medição são relativos ou passíveis de mudança; por exemplo, rios que servem de limite podem alterar seus cursos. Para aqueles para quem a agrimensura é um conceito abstrato, os sistemas de medição estão mais estreitamente ligados ao ambiente circundante e a uma compreensão física do terreno. Em áreas rurais, é prática comum há muito tempo utilizar árvores como pontos de referência para medir não apenas a área da propriedade, mas também a passagem do tempo.

Grafías, por sua vez, exibe óleo sobre pergaminho inglês dos séculos XVIII e XIX. O suporte desta obra consiste em escrituras de propriedade — registros originais manuscritos contendo nomes, locais, datas, limites de terras e áreas. Uma única folha de pergaminho possui valor intrínseco: representa a pele de um animal; duas folhas, dois animais. “Atribuía-se valor tanto ao material quanto ao seu conteúdo; era comum neles inscrever textos religiosos e solenes, mapas, decretos reais ou diplomas. Seu uso em documentos oficiais conferia formalidade ao conteúdo escrito, ao mesmo tempo em que garantia maior resistência à umidade e durabilidade superior em relação ao papel”, finaliza Johanna Calle.

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