João Trevisan | Galeria Raquel Arnaud

João Trevisan, Ensaio sobre a curva nº 8, 2017

A Galeria Raquel Arnaud tem o prazer de apresentar “Das conversas noturnas”, exposição individual do artista convidado João Trevisan com curadoria de Bené Fonteles. A mostra reúne em torno de 20 obras, entre pinturas, esculturas e desenhos recentes, que exploram as relações entre peso e leveza; equilíbrio e desequilíbrio; e tratam de memória, materialidade e impermanência.
João caminha pelas linhas férreas ao lado de sua casa em Brasília coletando materiais como madeira e peças de ferro descartados. O ato de caminhar, além de parte do processo produtivo, estabelece uma relação performática com seu trabalho.

As esculturas agrupam diversas peças industriais, como placas e parafusos de ferro, e são construídas através da sobreposição e do acúmulo desses materiais, que se equilibram de forma orquestrada e dialogam com o espaço.

Suas pinturas em tela também passam por um processo de sobreposição, mas neste caso são várias camadas de tinta preta até obter a textura almejada, para em seguida aplicar as cores, meticulosamente estudadas e escolhidas, e por último cobri-las com mais camadas de tinta preta. O artista destaca que prefere que sua pintura não seja direta, que é o que aconteceria se parasse nas cores. Ao invés disso, ele cria uma velatura, despertando um estado metafísico para a sua obra. A luz interage diretamente com essas pinturas, ora revelando e ora escondendo esses campos de cor, relação essa que mostra um aspecto cinético do trabalho. Já nas pinturas sobre madeira, o processo é inverso. João usa o branco para destacar as cores.
O curador Bené Fonteles comenta: “João pinta com a delicadeza e essencialidade que na história da arte deu-lhe parentesco e referência com as obras de cromatismo sublime e essencial em Morandi; no Brasil, o singular Alfredo Volpi, os fundamentais Willys de Castro, Hércules Barsotti, Lothar Charoux, Eduardo Sued e, mais recentemente, o que faz um refinado Paulo Pasta.” Outra preciosa referência é João Cabral de Melo Neto, que lhe é inspiração e legenda de suas pinturas.

João trilha um alfabeto original de memória, materialidade e impermanência, formatando seu trabalho em vários suportes e linguagens, que têm sempre seu corpo como gramática e poética.

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