Jeane Terra | Simone Cadinelli Arte Contemporânea

Simone Cadinelli Arte Contemporânea realiza a exposição “Jeane Terra – Escombros, peles, resíduos”, com trabalhos inéditos da artista, que reúne instalações sonoras, esculturas, pinturas, fotografias e vídeos resultantes da residência feita em Atafona, no litoral do norte fluminense, que vem sendo tragada pelo mar. A imersão feita pela artista no local integra sua pesquisa sobre memória e desaparecimento, que marca sua trajetória. Habitando a cidade, que possui uma área correspondente a catorze quarteirões já sob a água, Jeane Terra recolheu escombros de construções, fez registros fotográficos da paisagem, colheu depoimentos, gravou os sons do lugar, e imprimiu “marcas da memória” em monotipias, aplicando a pele de tinta que desenvolveu, diretamente nos destroços.

As obras resultantes dessa pesquisa ocuparão os espaços expositivos da galeria, nos dois andares. “Com esses trabalhos, busco retirar da memória desses escombros alguma eternidade, dando um novo significado para o que seria lixo urbano”, diz.

A curadoria é de Agnaldo Farias, e a exposição se insere na temática “Arte, Arquitetura e Urbanismo”, que Simone Cadinelli Arte Contemporânea destacará em sua programação deste ano, em conexão com a escolha pela UNESCO de que o Rio de Janeiro em 2020 é a capital mundial da arquitetura, em função da realização do UIA (União Internacional dos Arquitetos), a ser realizado em julho na cidade.

Jeane Terra desenvolveu um processo próprio, misturando tintas a vários materiais, e obtendo o que chama de “pintura seca”, uma “pele de tinta”, que usa sobre a tela em duas maneiras. Na primeira, aplica extensões da pele de tinta formando imagens. Em outros casos, recorta a pintura seca em minúsculos quadrados, que obedecem a um estudo de cor, e os aplica um a um sobre uma imagem impressa na tela, quadriculada. Assim, a tela funciona como um bastidor de ponto em cruz, “um pixel analógico”. Seu primeiro trabalho com esta técnica foi a pintura “O Salto” (2017), que integra a coleção do Museu de Arte do Rio (MAR), escolhida por Paulo Herkenhoff. Ela destaca que “o gestual da pintura está presente na construção da pele de tinta, e é desconstruído, ao ser recortado em quadrados”.

Para a exposição “Escombros, peles, resíduos”, as pinturas serão feitas desse modo, a partir das fotos feitas na paisagem, cobertas pela pele de tinta, e ainda outras feitas com o ponto em cruz mesmo, em lã.

As monotipias feitas com peles de tintas serão usadas nas instalações sonoras “Transformadores acústicos”, casulos suspensos do teto, onde o público colocará a cabeça, e ouvirá os sons da paisagem de Atafona, gravados por Jeane Terra, reproduzindo a imersão vivida pela artista.

Jeane Terra revestiu alguns escombros com materiais diferentes como pó de veludo, pelúcia e folhas de ouro, prata e cobre.

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