A exposição Aquilombada inaugura 29 de novembro, às 18h, a programação de artes visuais do iAMO, no Quilombo do Coqueiro Grande. É a primeira mostra individual de Jasi Pereira em seu território ancestral e também a primeira exposição realizada na sede do instituto. Nascida no Engenho Velho da Federação, Jasi apresenta sete esculturas inéditas produzidas durante residência no iAMO, feitas com terra, água, sisal e minerais recolhidos no próprio quilombo.
Para a artista, criar no território tem um sentido profundo. “É muito significativo estar aqui na Iamo, pisar nesse chão devagarinho e reconhecer que aqui é um lugar fecundo”, diz. Ela afirma que sua primeira mostra artística individual “abre uma porta de par em par para as artes visuais e para comunicar trajetórias do povo preto dos quilombos urbanos”. Sobre o processo, Jasi explica que “as obras continuam contando a experiência que vivi aqui. Das duas terras eu fiz essas esculturas.”
O iAMO também reafirma sua força como território de criação. “É neste chão sagrado, construído por mãos negras ao longo de gerações, que o iAMO ergue sua missão”, afirma Bruna Anjos, vice-diretora do instituto. Ela reforça que receber a mostra é uma nova forma de reconhecer a arte. “É perceber que a arte, quando nasce e retorna ao quilombo, ganha outra força, outro alcance. Nosso território não é margem: é origem.”
O curador João Victor Guimarães destaca que a escolha de Jasi está profundamente ligada ao território. “Ela vive, nasce e cresce em um quilombo”, afirma. Segundo ele, a artista trabalha entendendo que os materiais “têm autonomia, vida e memória”, o que representa “uma nova metodologia de fazer arte”. Para ele, “a relação entre as sofisticações do quilombo e da prática artística da Jasi é a coisa mais importante dessa exposição”.
A mostra conta com expografia de Francine Moura e montagem de Augusto Leal e Fabrício Oliveira dos Santos.


