Janet Vollebregt | Museu Nacional da República

O Museu Nacional da República, em Brasília, da continuidade a sua programação 2022 com a exposição “Esférica”, primeira individual da artista Janet Vollebregt no Brasil. A mostra apresenta um conjunto inédito de mais de trinta trabalhos, dentre esculturas, pinturas e instalações interativas que convidam o público a refletir sobre autoconhecimento e autocura. O objetivo é transformar o espaço expositivo do museu em um ambiente transformador e acolhedor, não apenas instigando o público a refletir sobre cura e consciência energética, mas também posicionando o prédio modernista e suas estruturas de concreto como um corpo vivo e mutante, um vetor para saúde física e emocional. A mostra acontece de 8 de julho a 28 de agosto de 2022 e tem curadoria da Kura, empresa de consultoria artística da cidade de São Paulo, que tem acompanhado a trajetória da artista nos últimos dez meses.

A partir dos conhecimentos técnicos provindos da sua formação e experiencia com arquitetura, Janet Vollebregt entendeu que a dinâmica energética dos ambientes pode ser melhor conduzida e assim contribuir para a qualidade de vida das pessoas. Sua pesquisa aprofundou-se então no universo dos campos energéticos e suas atribuições nos processos de cura, principalmente a partir dos conceitos relacionados à medicina alternativa oriental, como Jin Shin Jyutsu (japonesa), arte que restaura fluxos de energia vital do corpo através do toque com as mãos, e Feng Shui (chinesa), utilizada para melhorar a energia dos ambientes. Radicada no Brasil desde 2006, a artista encontrou nos elementos naturais da Chapada dos Veadeiros (GO), local onde mantém residência, os materiais perfeitos para a
formalização dessa pesquisa. Dessa forma, cristais, pedras e metais são combinados em obras que apresentam funcionalidade energética, atuando como harmonizadores do fluxo energético do corpo e da mente, além dos ambientes em que estão inseridas.

Dentre as obras presentes na mostra, uma das séries mais significativas é a dos “Totens” (2019). Esse conjunto de esculturas feitas em metal escovado traz símbolos diferentes de captadores de energia e esferas de minerais, correspondentes aos sete chakras do corpo. Suas extremidades são ajustáveis e foram desenvolvidas para o equilíbrio desses pontos energéticos. A exposição apresenta ainda a instalação site specific “Seja Consciente” (2022), onde o espectador é acomodado por alguns minutos num ambiente formado por quartzos rosa e plantas naturais. Esse tipo de quartzo, conhecido como a “pedra do amor próprio”, atua diretamente no chakra cardíaco e nas nossas emoções.

A artista apresenta também o “Portal Sintonia” (2022), uma instalação interativa posicionada no espelho d’água localizado na área externa do museu. Com estrutura em metal, além de uma esfera em madeira petrificada no topo, a obra traz um diapasão que pode ser acionado pelo visitante, que sente uma vibração em 258Hz, frequência ideal para acalmar e equilibrar. Outra peça importante na mostra é o “Grande Piercing” (2022), pensado como um símbolo para representar o edifício icônico de Oscar Niemeyer como um corpo vivo. Em formato de uma argola gigante, a obra funciona como uma joia que embeleza a passarela de concreto e age como um talismã de proteção e honra, causando ainda uma estranheza no público pela sua escala agigantada.

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