Izidorio Cavalcanti | Museu Afro Brasil Emanoel Araujo

Há mais de três décadas, o artista pernambucano Izidorio Cavalcanti insiste em devolver à arte sua dimensão experimental. A partir do dia 29 de novembro, essa trajetória ocupa o Museu Afro Brasil Emanoel Araujo, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo, com a estreia da exposição “Silêncio Retumbante”. Vinda do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (MAMAM), no Recife, a mostra chega a São Paulo expandida, colocando obras inéditas em diálogo com o acervo histórico das duas instituições. A abertura da exposição começa às 13h e, às 14h, acontece a performance Rasgando o Branco.

A exposição não busca o conforto do espectador, mas o deslocamento. Segundo as curadoras, o artista “não pinta o branco, ele o desestabiliza”.

O público encontrará um ambiente onde a hierarquia entre ver e ouvir é desfeita por meio de obras instalativas, pinturas, esculturas e videoperformances. Em trabalhos  como “Suíte nº 1 para lavar roupas” (2006), o sabão em pedra se acumula nas paredes como uma partitura silenciosa. Já em “Velocidade e peso da gravidade” (2006), milhares de piões cortados criam sistemas de equilíbrio no limite da queda. Como destacam as curadoras, aqui “a matéria não serve à forma, ela pensa a forma”. O cotidiano e o descarte urbano ganha uma inteligência do gesto — artesanal, coletiva e indisciplinada.

DOR SEM ESPETÁCULO

A mostra traz a inédita pintura “Caminhando no lúdico” (2025), feita especialmente para esta edição, e a série “Meu tiro no peito” (2019–2025), composta por  camisas bordadas, nas quais a dor vira superfície tátil, recusando tanto o espetáculo quanto o lamento.

Silêncio Retumbante” encara a experiência negra como potência de criação, e não apenas como tema de representação. A  obra de Izidorio faz do Museu Afro Brasil Emanoel Araujo uma oficina de fricção: um lugar onde, nas palavras das curadoras, “o som pesa, e o silêncio, longe de conter, faz o mundo retumbar”.

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