Ismael Nery | Ricardo Camargo Galeria

Em comemoração a seus 22 anos, a Ricardo Camargo Galeria apresenta duas exposições icônicas que trazem ao público uma seleção de obras arte sobre papel dos mais clássicos modernistas brasileiros. A primeira delas, Ismael Nery, recebe atenção especial e ocupa uma sala anexa do espaço.
A seleção traz um panorama da produção sobre papel de Nery, que faleceu jovem, aos 33 anos de idade, vítima de tuberculose. “São trabalhos bastante expressivos, que há muito tempo estão fora do mercado, alguns deles inéditos, inclusive”, pontua Ricardo Camargo, destacando que a última mostra individual do artista com obras à venda ocorreu há mais de 30 anos.
Entre os desenhos apresentados, há um conjunto de 25 obras sobre papel, de 1923 a 1933. Desse universo, cinco trabalhos integraram a X Bienal de São Paulo, em 1967; outros cinco marcaram presença em importantes retrospectivas realizadas pelo Museu de Arte de São Paulo Assis Chauteaubriad (Masp) e pelo Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), em 1974 e em 1984, respectivamente. Muitas das obras foram ainda reproduzidas em catálogos e livros sobre o artista.
Enquanto o papel como suporte ganha cada vez mais relevância nos grandes museus e nas mais importantes coleções do mundo, no Brasil o material é desprestigiado, seja por uma suposta fragilidade ou mesmo pela concepção de que desenhos são obras menos nobres. “Um bom papel é mais importante, vale mais a pena que uma tela mediana. Enriquece-nos, em vez de apenas enfeitar uma parede”, pontua o galerista Ricardo Camargo, que assina a curadoria das duas exposições.
Segundo o curador, museus especializados, como o Albertina, em Viena, e o próprio Museu do Vaticano, têm coleções monumentais de papéis feitos há séculos e que resistem perfeitamente ao tempo.

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